Dezembro

Dezembro é aquele tipo de mês que ou você ama ou você odeia. E não dá pra fugir muito dessa regra porque dezembro tem todos os clichês, todos os sentimentalismos, todos os tipos de emblemas e representações que um mês pode ter. Do tipo ou você realmente embarca nesse espírito ou simplesmente ~atravessa~ dezembro, esperando com todas as forças que janeiro chegue logo.

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Eu sou e sempre fui do primeiro time e até hoje, toda vez que chega essa época do ano, fico me perguntando porque afinal eu amo tanto dezembro. Sabe quando a gente fica procurando uma resposta difícil de encontrar? Porque não dá pra dizer que existe uma única resposta pra isso. São muitas, na verdade.

Mas daí eu penso que eu amo dezembro porque adoro essas luzinhas de Natal, que podem ser douradas, multicoloridas ou branquinhas, mas que piscam infinitamente e deixam a cidade muito mais bonita. E claro que todo lugar tem seu exagero, tem umas casas que até assustam de tanto pisca-pisca que possuem, mas ah, até essas tem lá seu encanto, trazendo um pouquinho de brilho pras noites.

Eu amo esse clima de final de ano, amo que as pessoas conseguem transformar uma data específica do calendário em um momento importante pra todo mundo. O fato do ano mudar pode até não representar uma transformação palpável na sua vida, mas pode representar uma transformação muito mais interior, do tipo contrato que a gente faz com a gente mesmo e pensa “quero isso e vou correr atrás disso.”

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E dezembro pra mim é isso, é esse sentimento de que não importa quanto errado as coisas deram (ou não) até aqui, tem mais 365 dias pela frente pra você virar o jogo, pra você ser mais feliz do que triste, pra você aprender mais, estudar mais, ler, escrever, se divertir mais.

Eu gosto do clima de dezembro não porque soa como comercial de margarina, mas, exatamente ao contrário, é porque eu desejo ardentemente que não seja pura propaganda. Desejo – e acredito – que aqueles votos não são da boca pra fora, que as pessoas realmente se importam umas com as outras e que, afinal, dezembro tem o poder de despertar bons sentimentos na gente. E eu espero que eles perdurem por todos os outros meses do ano.

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Eu amo dezembro porque eu amo dezembro. Amo porque tem um monte de festa e dá pra ver e rever um monte de gente querida. Eu amo dezembro porque eu faço listas de tudo que deu certo no ano que passou e de tudo que eu vou lutar pra acontecer no que virá. E amo dezembro, principalmente, porque acredito única e exclusivamente que dezembro só é tão mágico assim não por causa das suas datas, afinal datas sozinha não significam nada, mas porque as pessoas tornam dezembro um mês diferente de todos os outros. São elas que que deixam esses dias com uma carinha diferente, com um clima, uma vontade, um jeito só seu. Eu amo dezembro porque ele poderia ser um mês como qualquer outro, mas nós escolhemos fazê-lo especial.

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And a happy new year

Vinda de uma família italiana, que preza pelas suas origens e carrega características da linhagem muito bem fáceis de identificar, já é mais do que normal que eu sempre me depare com festas animadas de final de ano. A mesa cheia, muita conversa e risadas, a tia que sempre chega atrasada, os amigos secretos em que uma pessoa sempre decide que ali será seu momento para soltar “the best joke” e todas aqueles detalhes que deixam o meu Natal e o Ano Novo momentos tão característicos e tão memoráveis nos meus dias.

Há três anos as coisas mudaram um pouco e aprendi a ganhar uma nova família, novos amigos e novos momentos que fizeram do meu Ano Novo um lugar e tempo um pouco diferentes do convencional.

Eu não quero fazer um post sobre o quão importante esses momentos, os que tenho há 21 anos de vida e os ganhei nesses últimos três anos, são pra mim. Isso fica guardadinho comigo e não tem nem como eu querer expressar a felicidade que tudo isso representa.

Mas aqui, enquanto escrevo e escuto os fogos de artifício lá fora (sim, eles começaram mais cedo esse réveillon), fico pensando que eu queria guardar todos esses dias em um potinho. Toda vez que num dia qualquer, numa tarde chuvosa lá pelo meio de maio eu quisesse lembrar um pouco do quanto dezembro me faz sorrir de orelha a orelha e do quanto essas duas festas são tão importantes para o meu calendário (DATAS são importantes <3), eu poderia abri-lo e reviver tudo aquilo por mais um dia.

Mas aí eu penso bem e acho melhor que seja assim, que essas lembranças fiquem na memoria da gente e apareçam só de vez em quando para dizer um olá, ocultando um ou outro detalhe que, infelizmente, nossa memória não é tão boa assim para guardar. Acho que dessa forma há uma graça ainda maior nesses dias, há ainda algo mais de especial no dia 25 de dezembro e no 31 de dezembro. Se eu pudesse reviver esses dias assim, a cada momento, será que eu aguardaria ansiosamente pela próxima data? Talvez sim, talvez não.

Eu apenas quero terminar meu 2011 sabendo que dezembro sempre será um mês mágico, um mês em que aguardarei  ansiosa assim como aguardava a chegada do papai-noel quando criança. Um mês que demora um longo ano pra se repetir, mas que faz valer a pena tanta espera. Melhor de tudo: quero terminar meu 2011 não revivendo cada Natal e cada Ano Novo da minha vida, mas tentando fazer cada dia um pouco mais bonito e mais especial quanto essas datas.

Agora deixa eu ir para lá, porque esse ano o Ano Novo é só com o namorado (início de uma nova tradição?) e o canelone e o pavê ainda aguardam para serem feitos.

Feliz 2012 para todos nós.

O meu já promete ótimas novidades logo de cara ;)

Bisous

22 de novembro de 2010

Demorei alguns dias para vir escrever sobre o show do Paul McCartney aqui porque ando numa corrida louca contra o tempo, da qual, aliás, prefiro nem entrar em detalhes pra não me desesperar – mas falta uma semana só, uma semana só! Além disso, eu estava criando coragem e pensando nas palavras certas que caberiam nesse post. A coragem veio, mas talvez as palavras tenham ficado perdidas no meio do caminho, porque não sei se elas de fato fazem jus ao que foi a noite de 22 de novembro de 2010.

A primeira recordação que tenho de Beatles é ainda pequena. Lembro que ficava andando de camisolinha e paninho pela casa enquanto meu pai cantarolava Hey Jude pelos corredores. É uma lembrança meio vaga, mas que se mistura ao som de Yesterday que tocava na nossa antiga vitrola da sala. Embalada por essas músicas na minha infância fui crescendo e escutando, quase sempre de pessoas bem mais velhas, sobre uma certa banda que elas adoravam e que tinha sido uma febre. Era uma coisa tão louca que eu sentia como se eles não estivessem falando simplesmente de uma banda, mas um espírito, algo meio atemporal. Aos poucos – e conforme fui crescendo – fui conhecendo um pouquinho mais dos Beatles, um pouquinho mais sobre aquele quarteto de Liverpool tão amado.

Cresci e acabei descobrindo outras bandas, que marcaram minha adolescência/juventude. Bandas que falavam sobre ideologias, vontades de mudar o mundo, de lutar pelos nossos sonhos… bandas que fizeram parte da minha história, daquela maneira toda especial que só a música consegue fazer. No entanto, os Beatles sempre estiveram lá… de vez em quando menos tocados no foninho de ouvido, mas sempre lá.

Isso até uns dois anos atrás.

Há dois anos, há exatos dois anos que minha vida deu um giro de 180º, os Beatles a invadiram, quebraram as vidraças e cresceram de uma maneira insuspeitada por dentro dela. Sem nem ao menos eu me dar conta.

Lembro que nos primeiros dias de casa nova as meninas costumavam dançar And I love her na sala e sempre que a casa ficava em silêncio alguém já corria pra colocar um cdzinho dos Beatles pra tocar. De repente eu estava ali cantando All my loving a plenos pulmões, chorando emocionada em Something e delirando em Back in the U.R.S.S. Foi uma inundação que aconteceu: de repente eram músicas e mais músicas, cd’s, vídeos, uma vontade imensa de guardar tudo aquilo num lugar só meu. E então veio o Diego com seu amor beatlemaníaco e tudo se completou.

De repente, os Beatles não eram mais apena uma banda que me deixava nostálgica com minha infância, mas era sim uma banda que me definia, que me dava o melhor do melhor da fase mais feliz dos meus vinte anos de idade.

Assim, depois de muita impaciência pra conseguir o tão sonhado ingresso, depois de muita (muita!) gritaria ao ver a playlist que o Paul tocaria no Brasil, a expectativa pra noite do dia 22 só crescia. E o dia, finalmente, chegou.

A excursão foi uma delícia à parte: teve sorteio de brindes que incluíam camiseta e cd do Paul, além de uma sessão de tatuagem (o organizador da excursão foi o Binho, tatuador daqui de Bauru). Pra variar eu não ganhei nada haha, mas o Diego ganhou a tatuagem, eee, e isso é um capítulo à parte que fica pra um outro post!

Além disso tinha travesseiro, cobertores, água geladinha, uma trilhas sonora foda em toda a viagem e o carisma do Binho, tudo num pacote só.

E aí chegamos em São Paulo.

Chuva, muita chuva e uma correria enorme já que o ônibus parou longe do estádio. Só sei que no final, mesmo ensopada dos pés a cabeça, cansada e depois de horas na fila, tudo simplesmente foi embora quando coloquei meus pés no Morumbi. O show ainda demorou um bom tempo pra começar, mas a cada segundo meu coração parecia que ia estourar. E quando começou, ah, quando começou… Pareceu mesmo um sonho, do começo ao fim. Desde quando ele tocou a terceira música e eu engatei num choro que ia e voltava durante o show, até aos comentários de “ai que fofo” da Babi ao meu lado, além do abraço e beijo que dei no Diego e que me fez lembrar de todos nossos e-mails à la Beatles. Tudo foi mágico, do começo ao fim. Além do que, sir Paul, do alto dos seus 68 anos, cantou três horas de show sem perder o bom-humor, a entonação, sem beber água, sem deixar de se divertir com o público em todos os momentos. Pra ensinar o bom e velho rock ao que estão aí.

Numa explosão de fogos, num piano que me arrepiou da cabeça aos pés, num ‘tudo bem in the rain’ que me fez amar aquela chuvinha de São Paulo, Paul McCartney fez valer todo meu amor pelo Beatles. Obrigada Paul. Obrigada Diego, Babi e Caio que estiveram comigo nesse dia tão especial.

Obrigada 22 de novembro de 2010 por ter sido o dia único que foi.

Créditos das fotos: Babi.