A minha São Paulo

Quando as pessoas ficam sabendo que estou trabalhando em São Paulo, a primeira pergunta que vem à baila é sempre a mesma: “Ta gostando da cidade?” Podem ter algumas variações do tipo se ‘adaptando’, ‘curtindo’ e outras, mas no final das contas o sentido é o mesmo. E minha resposta vem primeiro no sorriso estampado na cara e depois na confirmação sonora.

E afinal porque eu não estaria gostando? São Paulo pára com a chuva, isso é fato, mas todo dia eu ando pela Avenida Paulista de olhos vidrados naquelas pessoas apressadas. Indo para o trabalho, indo estudar, passeando pelas lojas…os motivos podem ser vários, mas a Paulista tem uma magia, um magnetismo que faz milhões de pessoas passarem por ali, com caminhos, histórias e vidas completamente diferentes e mesmo assim, inspirarem umas as outras de forma incrível. Não sei, talvez seja algo que só quem ta de fora, quem não freqüente e passe a vida toda por ali possa sentir. Mas sinceramente eu acho que não. Acho que se eu passasse todo o resto da minha vida caminhando por aquela avenida, mesmo assim sentiria todo dia esse sentimento estranho de não pertencimento a nada – é um turbilhão em movimento – e, ao mesmo tempo, um sentimento de fazer parte de algo, de uma coisa maior que faz o mundo girar.

É um sentimento meio maluco e acho que por mais que tente explicar isso para os outros, bem, no final eu acabo não conseguindo explicar completamente.

Mas então, quando me perguntam se estou gostando de São Paulo, como posso dizer o contrário? Como posso dizer que aquela cidade é feia, tenebrosa, se eu não conheço esse lado? É muito simples falar que São Paulo é um encanto porque pra mim, pelos lugares que passo, pelo que sinto ela realmente é. E aí que trilhões de pessoas podiam passar por isso e simplesmente nem pensarem no outro lado, nem pensarem na São Paulo cinzenta que assalta, que polui, que destrói. Mas eu aproveito a minha São Paulo enquanto penso nessa outra São Paulo. Ela não ter uma forma muito definida pra mim… não vivi sequer um dia nela pra contar, mas penso que existem duas São Paulo, duas cidades que são absolutamente opostas e que só alguns conhecem. Eu não conheci o outro lado e isso a torna um encanto para mim. Para alguns pode ser um furacão.

É tudo uma questão de ângulo.

Fico feliz por ter a minha São Paulo como um lugar lindo e cheio de vida.