Setembro 2012: o que teve

Vi lá no A life less ordinary, gostei e trouxe pra cá. Quem sabe vire um post para todos os meses?

Assistindo…

A 9ª temporada de Grey’s Anatomy. Ta aí um seriado que eu sou completamente viciada. Posso ficar meses sem assistir, mas quando decido colocar os episódios em dia, sento na frente do computador e vejo todos os capítulos perdidos um atrás do outro, numa maratona crazy. E vale cada minuto. A nona temporada tá no segundo capítulo ainda (em setembro, tava no primeiro), mas tem tantas coisas a serem resolvidas da oitava, tantos personagens novos , tantos personagens dando adeus que fica difícil não se envolver (e, no meu caso, se debulhar em lágrimas), com cada cena que aparece.

 

Lendo…

Uma pilha de teses, livros e artigos para o TCC, mas os dois que estão sendo lidos mesmo de cabo a rabo são “História da moda no Brasil: das influências às autorreferências” de Luís André do Prado e João Braga e “Análise de conteúdo” de Laurence Bardin.

Ouvindo…

Tava em uma fase de cantoras que iam desde Kate Nash, passavam por Lily Allen e desembocavam em Nara Leão. A fase ainda não passou direito, mas já to dando uma chance pra outras bancas e cantores aparecerem na minha playlist.

Querendo…

Pode ser repetitiva? Mês passado (e nesse também) só queria continuar a escrever meu TCC conforme todo o cronograma e terminá- lo dentro do prazo. Torçam por mim.

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Um capuccino, por favor

Eu tenho um amor meio doido por cafeterias.

É claro que não é só pelo café/capuccino, apesar de eu realmente achar que não há vida sem eles, mas pra mim tem muito mais a ver com todo o ambiente do lugar. O aroma, os detalhes, as comidinhas, os livros (algumas têm e ganham muitos pontos positivos por isso); tudo influencia. Tanto é que sentar em uma cafeteria junto com o Diego, pedir um bom capuccino, alguma comida gordinha e ficar ali conversando por horas com ele deixa meu dia muito mais feliz. É só uma horinha do dia, mas se eu estiver chateada ou estressada por algum motivo parece até que funciona como um remédio. E se eu tô feliz, triplica a felicidade. Eu falei que era um amor meio doido, não falei?

Se eu vou sozinha pra cafeteria, já pego algum livro que tem no lugar ou algum que esteja dentro da minha bolsa (o “História da moda no Brasil” que eu to lendo agora, infelizmente,é impossível de levar, seja a bolsa do tamanho que for) e fico ali. Nem vejo o tempo passar. Parece cena de filme, eu sei, mas pra mim esses roteiristas é que não são bobos nem nada e resolveram passar uma das sensações mais deliciosas que a gente pode ter pra tela dos cinemas.

Mas daí que nessa minha curta vida de 22 anos de idade acabei conhecendo mais gente que é tão louca quanto eu por cafeterias. Do tipo que vai pra Curitiba e visita umas 10 cafeterias em uns poucos dias de viagem. Podem acreditar! E comecei a pensar que se tivesse dinheiro pra investir em um projeto grande e que não tivesse nada a ver com minha profissão eu provavelmente abriria um café (ou uma luderia, porque eu também já pensei nisso haha). Não precisava ser enorme, mas seria com todos os detalhes que eu prezo nesses lugares. Com toda uma mobília delicada e condizente com a decoração, com os livros nas estantes bem à vista, com paredes cheias de referências à magia do café e, claro, com uma área ao ar livre.

Enquanto “minha cafeteria” fica só nos sonhos e planos, eu vou visitando todas as que passam pelo meu caminho e fica tudo registrado aqui. Se alguém tiver mais contribuições pra colocar, eu vou amar ter novos lugares pra visitar, sejam eles onde forem. E pra quem ainda não tomou o café da tarde de hoje, bora pra alguma cafeteria?

;*

Cheiro de chuva

Foram 63 dias sem chuva! Sessente e três!
No mês passado a prefeitura já tinha divulgado que a cidade estava em clima de alerta por causa da umidade do ar, ou melhor, da falta dela. Bauru chegou a bater a porcentagem alarmante de 18%, quando pela escala da OMS (Organização Mundial da Saúde) valores abaixo de 30% já são preocupantes. Mas os números, mesmo que bem visíveis, não precisavam aparecer com toda essa pompa pra mostrar o que eu já tava sentindo na pele, na irritação dos olhos, nesse cansaço que fazia o corpo até doer e nesse sol que achava escaldante uma palavra muito bobinha pra ele ser chamado.
Hoje, depois de 63 dias sem ver uma gota de chuva pela janela, o dia amanheceu cinza e com um vento que me fez protagonizar a cena de Marilyn Monroe em “O pecado mora ao lado” na frente da editora. Hoje, depois de 63 dias a gente escutou os primeiros pingos de chuva lá fora e todo mundo correu nas janelas da redação pra ver uma coisa que parece tão bobinha, tão parte do nosso dia a dia, mas que depois de tanto tempo sem acontecer faz a gente pensar em como é importante, em como faz um bem danado pra pele, pra alma, pra vida.
A redação parou pra bater palma, mas merecia bem uma festa, ainda mais por vir acompanhada daquele cheirinho que há tantos dias tinha desaparecido, e que logo invadiu a sala e fez todo mundo trabalhar muito mais feliz.
Foram 63 longos dias, mas a chuva chegou. E foi lindo.

O clube

Inglaterra, década de 30. Uma turma de acadêmicos de uma das mais famosas universidades do mundo, a Universidade de Oxford, resolve criar um grupo para discussão de literatura.  As reuniões eram bem informais e o grupo mais ainda, com alguns poucos membros, todos homens,  participando cada um à sua maneira e com suas ideias.

Montar um grupo de literatura podia até ser uma ideia comum, mas seus membros já não eram caras tão comuns assim. Eles se auto intitularam “The Inklings” e decidiram que queriam sim falar de literatura, mas não ~só~ de literatura. A ficção era aquilo que de fato os unia, tendo ainda um outo elemento em comum: a fantasia. A deliciosa e encantadora fantasia.

Começaram a se reunir num bar que ficava ali perto chamado The Eagle and Child (A águia e a criança), mas que tinha um nome muito mais carinhoso entre eles The Bird and baby (O pássaro e o bêbe). Posso até imaginar alguns de seus encontros, com todos aqueles homens sentados ao redor de uma mesa. Acompanhados de alguma bebida qualquer, com vontade de expressar suas ideias, de desabafar seus dilemas – acadêmicos ou literários – e de conversar um pouco com outros homens que sabiam o quanto o sonho faz um bem danado para qualquer um. Em qualquer idade. Em qualquer lugar.

Um desses caras era africano, mas morava ali na Inglaterra desde muito pequeno. Apaixonado desde sempre pela literatura, não teve dúvidas em cursar a faculdade de Letras. Anos depois, ali em Oxford, seria uma dos professores mais reconhecidos da universidade, onde lecionava anglo-saxão, inglês e claro, literatura inglesa.

O outro era irlandês, mas tinha ido para a Inglaterra para fazer faculdade. Amava os livros, com todo fervor. Com três anos já vivia em um mundo imaginário, fazendo questão que a família o chamasse de “Jack”. Aos 10, perdeu a mãe, e junto com seu irmão encontrou nos livros ainda maior refúgio.

Eles se conheceram no grupo e viram que tinham muito mais em comum do que a literatura. Se tornaram amigos, grandes amigos. O fato de um ser um católico praticante e o outro um ateu convicto – mais tarde ele iria se tornar protestante o que desagradaria ainda mais ao amigo – foi um entrave na amizade. Quando a crença e a literatura de ambos de misturavam, as constantes brigas eram inevitáveis. E essa mistura de fantasia, fé e crenças era, para ambos, muito mais comum do que se possa imaginar.

Um deles se chamava John Ronald Reuel Tolkien, ou como você deve conhecer J. R. R. Tolkien, o “cara que escreveu O Senhor dos Anéis.” O outro se chamava Clive Staples Lewis, ou como você deve conhecer C. S. Lewis, o “cara que escreveu As Crônicas de Nárnia”.

A primeira vez que eu escutei falar de “O Senhor dos Anéis” foi pela minha irmã. Lembro que ela trouxe o livro pra casa (aquele com os três livros juntos, enorme que só ele) e começou a ler e me contar o quanto tava amando. Eu, uma pequena devoradora de livros, não aguentei e comecei a ler junto com ela. Depois ainda viriam os filmes, que me prenderam tanto quanto o livro, e que me mantinham fascinada com a ideia de um mundo paralelo tão absurdamente bem planejado. Não conseguia, – e ainda não consigo – pensar em outra palavra que não seja perfeição para a descrição dos personagens, da Terra Média, de todos, absolutamente todos os detalhes da história.

Já “As Crônicas de Nárnia” surgiram faz pouco tempo na minha vida. Não havia visto nenhum dos filmes, não sabia absolutamente nada da história – muito menos sobre os “The Inklings” – mas um belo dia encontrei o livro (mais uma vez a versão com todos os livros juntos) na biblioteca da minha faculdade e voilá, logo ele foi parar nas minhas mãos.

Finalizados os três primeiros livros de “As Crônicas de Nárnia” eu fiquei pensando o que era aquela sensação quente que eu sentia aqui dentro do peito quando lia aquela história. Lembrei que havia sentido algo parecido com “Senhor dos Anéis” e com “Harry Potter” e tentei achar algum ponto de ligação entre aquelas três histórias, tão diferentes entre si, mas que despertavam em mim aquele mesmo sentimento. Até que de repente a resposta apareceu na minha frente assim, quando menos esperava.

A fantasia.

Quando descobri sobre o “grupo de literatura” de Oxford eu fiquei encantada. A própria história me parecia bonita demais, me parecia até mais uma das histórias do próprio Tolkien ou do Lewis, com a cereja no topo do bolo de que eles agora também tinham virado personagens. Mas não. Ela era real. Era completamente real.

Penso cá com meus botões que o mundo é um lugar muito mais encantador, mais quente, mais bonito de se admirar quando colocamos um pouco de magia no dia a dia. Não precisa ser a louca que não sabe viver no presente e encara tudo como um conto de fadas. Não to falando disso. To falando de simplesmente imaginar que, de vez em quando, o que a gente chama de coincidências, de felicidade, de realização, a gente podia simplesmente chamar de magia. De acreditar que a gente pode criar uma história pra nossa própria vida e seguir aquela história da maneira mais verdadeira que a gente puder. Porque afinal é a gente sim quem escreve nossa história. E se a fantasia pode ser um aliado pra fazer você sonhar com o que quer pra sua vida, porque deixa-la de lado? Tudo pode, e deve, ser mais do que obrigação, mais do que fazer por fazer. E só a fantasia, a magia nos proporciona isso.

Eu fico pensando que se dois caras lá na década de 30 queriam mostrar pro mundo, cada um do seu jeito e com suas verdades, o quanto a fantasia é importante, eles mostraram muito mais do que isso. Eles mostraram que ela não é importante, mas sim necessária pra se viver. E eu só tenho a agradecer.

Um obrigada a cada um dos “The Inklings”.

Obrigada Tolkien.

Obrigada Lewis.

Eu entendi o recado (;

With a little help from my friends

Eu podia fazer um post todo frufuzinho pra falar sobre o quanto essas pessoas são importantes na minha vida, mas nem quero fazer isso. Ou melhor, nem preciso fazer. Esse tipo de coisa a gente mostra no dia a dia, in real life, no cara a cara.

Mas que eu queria guardá-los todos em um potinho, ah, isso eu queria!

With a little help from my friends – The Beatles ♫

Um passo de cada vez

Diferente da maioria do meus amigos de escola, a minha época do ensino médio não foi uma fase difícil de escolhas profissionais. Enquanto quase todos quebravam a cabeça pra descobrir qual o bendito curso de vestibular queriam prestar, eu já tinha bem definido em mente que queria jornalismo. Apesar de tudo isso, dessa certeza que há muito tempo me acompanhava, sentia uma certa angústia ao saber que uma fase estava acabando e outra, necessariamente, começando. Era um degrau a mais que eu iria subir, fosse ele em São Paulo ou em uma cidade interiorana, com gente que entraria pra sempre na minha vida e com tantas outras que eu não queria deixar pra trás.

Acho que todo mundo passou por isso. Pode não ter entrado em crise, não ter chorado de desespero por cada teste vocacional que fez ou por cada nova palestra que assistiu e que embaralhou ainda mais sua cabeça confusa. Pode não ter rolado tudo isso, mas garanto que em algum momento desse caminho, nem que uma única vez, todo mundo se perguntou o que esperar do futuro.

A gente traça metas, cria expectativas, tenta prever como será cada novo passo, mas em uma época onde tudo isso se mistura a difícil fase da adolescência, as coisas ganham um significado ainda maior, com o triplo de angústias e problemas.

Uma boa dose desse nervosismo vem da própria família, da própria escola. É óbvio que eles estão aí pra apoiar, pra mostrar que sim, não dá pra escolher uma profissão no cara ou coroa, mas quase sempre essa época é pintada de uma maneira tão apocalíptica que a gente cria mais medo e insegurança desse período do que das próprias escolhas que a gente tem que fazer.

Uns bons anos depois, agora é a faculdade quem dá um tchau ainda meio acanhado pra mim. Sei que ainda faltam longos meses até tudo acabar. Longos porque nesses meses tem a produção do TCC, que traz, na mesma medida, uma boa dose de responsabilidade e controle do seu tempo com a sensação de se estar produzindo algo incrível. Longos porque eu não vejo a hora de me formar, com toda a sinceridade que esta que vos escreve tem. Longos e ironicamente curtos também, porque muita gente que se revelou querida ao longo desses anos também parte agora para outros lugares. E foi exatamente aí, quando tentei pensar com calma e sensatez nisso tudo que estou vivendo, que tive a visão de mim mesma há cinco anos, no último dia de aula do terceiro colegial.

O lugar mudou, as pessoas mudaram, a minha certeza do que quero pro meu futuro ainda é uma certeza bem traçada faz tempo, mas percebi que essa fase de agora, de sair da faculdade e dizer “sou formada”, tem o mesmo gosto (ou talvez até mais apurado) de desconfiança que aquela outra fase. As pessoas costumam falar tanto da escolha do curso na vestibular, mas e a escolha de vida, a escolha de carreira que a gente faz quando a faculdade termina?

Já fiz minhas listas, já fiz meus planos, já tenho tudo muito bem traçado aqui em mente, assim como tinha naquela época, mas assim como naquela época, hoje eu também sinto um misto de ansiedade e frio na barriga pelo desconhecido. Pelo próximo degrau dessa longa escada.

Ps: Obrigada a Babi pelas conversas sempre tão reconfortantes.

Sejamos clichês

Sejamos clichês. Quando for pra valer, não vamos ter medo de falar “Eu te amo”. O “Eu te amo” já anda tão escasso, já anda tão mal falado, tão usado como quem diz “Vou ali na esquina comprar pão”, que quando for de verdade, a gente não pode ter medo de dizer. Não pode se achar bobo, não pode ter medo de arriscar. Se a gente deixa o momento passar, nem sempre haverá um outro igual.

Sejamos clichês. Vamos dar importância mesmo pra cada pequeno momento. Porque toda mulher ama juras de amor, ama receber um buquê de flores enormes e cheirosas, ama que seu homem seja um poço de delicadezas quando está com você.  Eu, pelo menos, amo. Mas o que eu amo mais ainda é que ele abra a porta do carro pra eu entrar, que ele me surpreenda as 16h de uma tarde chuvosa de terça-feira com um “Te amo” no meu celular. Que ele me conte coisas que eu sei que pra ele são dificílimas de contar. Isso pra mim importa mais do que qualquer outra coisa. Porque no final o amor é mesmo construído nesses pequenos momentos, quando você aprende a vê-los com um olhar de surpresa, de quem se encanta como se fosse a primeira vez pela pessoa.

Sejamos clichês. A gente já tem que ser tão duro no dia a dia, já tem que levar uma vida que não te dá um minuto pra respirar, que te obriga (ainda bem) a usar todas as suas horas do dia sem deixar nada pra depois. Então, quando a gente tiver esse tempo extra milagroso, vamos aproveitar com quem a gente ama. Seja namorado, amigos, cachorro… A vida é curta demais pra gente achar que as pessoas estarão sempre esperando pela gente.

Sejamos clichês. Vamos dizer “Bom dia”, “Boa tarde”, “Boa noite” sempre. Vamos lembrar que um “Com licença” e “Por favor” são fundamentais nessa vida, mon dieu. Vamos ser gentis e flexíveis, porque eu acredito mesmo que tudo o que você faz nessa vida, volta pra você em dobro, mesmo que não seja tão já.

Vamos ser clichês. E parar de achar que o mundo é um lugar feio, brutal e incoerente. Às vezes ele até pode ser, mas se você acredita e desiste de jogar, ninguém, absolutamente ninguém vai conseguir te colocar no jogo de novo.

Sejamos clichês.  Vamos achar que a gente merece. Porque a gente tem tendência a se subestimar, a se colocar como incapaz pra uma coisa, a acreditar que a gente não tem chances. Se você não acreditar e correr atrás disso, quem vai acreditar por você?

 Sejamos clichês. E vamos escrever cartas. E vamos ver filmes. E vamos escutar música, e ver peças de teatro, e assistir mais séries, e sermos mais românticos, e chorarmos de alegria. Vamos ser viscerais com cada momento, vamos saber tirar o máximo de tudo. E vamos perguntar muito, e perguntar mais um pouco, e sermos absurdamente fortes quando precisarmos. Vamos reclamar menos e fazer mais, ou se for pra reclamar, reclamar pelo que a gente acredita, sabendo usar todas as cartas da manga. E vamos estudar muito. Estudar um mar de assuntos, aproveitando tudo aquilo que cair em nossas mãos.

Sejamos clichês. Porque, afinal, ser clichê nessa vida tem muito mais a ver com saber aproveitá-la do que ter medo de fazer papel de bobo. A escolha é sua.

Sejamos clichês e exageradamente felizes.