Dois anos depois

Logo no primeiro dia de dezembro eu e Diego fomos visitar uma amiga muito querida – aka Babi – e o Caio, seu namorado, em São Paulo. A visita tinha um motivo especial: em 2013 a Babi embarca para Santa Fé, Argentina, onde vai ficar por longos seis meses. Além da despedida e do abraço apertado que queríamos dar nela, já fazia dois anos desde que nós quatro havíamos nos reunido. Naquela época os dois vieram pra Bauru, então nada mais justo do que agora eu e Diego irmos visitá-los. E de quebra aproveitamos o passeio pra ir em diversos lugares legais – e finalmente levar o Di pra conhecer a Paulista, o que era uma vontade de muito tempo. Explico: desde que fiquei um tempinho em SP, me apaixonei perdidamente pela Paulista. Talvez um dia ainda faça um post explicando o porquê disso, mas em linhas gerais eu amo a mistura – de tipos, construções, idades e cores – que se encontram tudo-ao-mesmo-tempo-agora por lá. E quando tem lugares que eu gosto assim, de um jeito tão visceral, tenho vontade que outras pessoas que eu gosto também o conheçam. E pra mim a Paulista e Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis, são locais assim.
Espero, aliás, que esse segundo eu também tenha um dia a oportunidade de mostrar para o Diego.

Fomos no sábado de manhãzinha (manhãzinha mesmo, tipo cinco da matina e a gente já tava no ônibus) e nossos primeiro destino foi o apartamento do Caio, onde ficamos hospedados. Como por email nós já havíamos combinado mais ou menos o roteiro, partimos direto pra Paulista onde fomos caminhando até chegar na Augusta. Lá, em um restaurante vegetariano muito simpático, o Apfel, almoçamos e já colocamos boa parte da conversa em dia. Tudo bem que a gente sempre se comunica por facebook, gtalk e afins, mas como eu já disse aqui fazia dois anos desde que nos reunimos todos, então imaginem o tanto de assunto!

Fomos para a Livraria Cultura logo em seguida e olha, só confirmei algo que já batucava dentro de mim: eu poderia morar dentro daquele lugar. Amo a disposição dos livros, amo o espaço giga que tem pra gente sentar e ler o que quiser, amo o tanto de livros e revistas nada fáceis de achar, mas que lá a gente acaba sempre encontrando algum exemplar. Enfim, a Livraria Cultura é minha segunda casa.

Depois dessa parada fizemos ainda uma longa caminhada – com direito a uma rápida passagem pela lojinha da Lomography que claro eu me apaixonei perdidamente –, mas que tinha um destino certo: o MIS. Eu não conhecia o museu ainda, mas como os paulistanos gostavam bastante de lá e as exposições que tavam rolando super interessavam a mim e ao Diego nem precisou muita cerimônia pra colocar o museu no roteiro.

A primeira das exposições que vimos foi o “Projeto Keep Walking”, onde vários artistas prestaram sua homenagem a Madonna – que tava no Brasil fazendo shows –, através de pinturas. Essa exposição rolou até dia 16 de dezembro e ficava logo na entrada do MIS. Algumas das obras faziam referências claras à músicas e a própria imagem da Madonna, enquanto outras já pediam um pouquinho mais de paciência da gente pra tentar entender qual foi a sua inspiração.

A segunda exposição foi a “Arte e Cinema pelos pôsteres”. De um lado, os pôsteres  originais de filmes clássicos como Lolita, Laranja Mecânica e Jules e Jim e, do outro lado, releituras desses mesmos pôsteres. Como eu gosto pouco de cinema (só que não), fica legal ver as ideias e pequenos detalhes que deram origem pra cada releitura. Alguns pôsteres relembraram cenas famosas do filme e alguns criaram imagens mega minimalistas, mas que mesmo sozinhas representavam muito bem aquela história. Pra quem se interessar, essa exposição ainda tá rolando! Ela é gratuita e fica no MIS até 13 de janeiro de 2013.

A última, porém mais legal das três exposições, foi a “Brazilian International Game Festival”, ou a BIG, de forma abreviada e mais bonitinha de se chamar. Nem preciso dizer que o namorado quase teve um surto de tanta felicidade lá no meio, mas até pra nós três que não somos tão imersos quanto ele no mundo dos games, a BIG foi uma baita surpresa positiva. A exposição queria mostrar o trabalho de diversos games independentes que deram de lavada em muita produção giga por aí. E não dá pra concordar menos! Apesar da gente não ter participado das palestras e oficinas que rolaram sobre o assunto (elas já tinham sido em um outro dia), todos os games estavam lá ligados pra gente jogar o tempo que quisesse. Eram MUITOS jogos, sendo um mais divertido do que o outro. E todo mundo tá de prova que, mesmo depois de eu ter gasto o maior tempo jogando vários, o segurança ainda não tinha saído daquele que eu mais queria jogar!

Depois do MIS já tava começando a escurecer e como nós tínhamos combinado uma noite mais calminha no apartamento do Caio, pegamos um ônibus, fizemos uma rápida parada no McDonald’s e rumamos pro ap. Durante a noite jogamos desde “Eu garanto” até o  jogo dos Bastardos Inglórios – que por falta de nome fica sendo chamado assim mesmo.

Domingo de manhã foi dia de conhecer a Liberdade. Eu nunca tinha ido até lá, apesar de já ter lido sobre o bairro. Fiquei encantada! Tem que ter uma certa paciência pra andar por alguns lugares e enfrentar a multidão que vai se formando, mas a arquitetura, as lojinhas e toda aquela história que a gente já conhece do lugar, mas que quando vê ao vivo e a cores assim dá uma alegria difícil de explicar, fizeram valer cada minuto. Além de um jardim lindo de morrer que visitamos, conheci a Fancy Goods e oh lord, dá vontade de levar absolutamente tudo embora! Sabe aqueles itens de papelaria que você compra e sabe que depois vai morrer de dó de usar? Hahaha É bem por aí. Arrematei uma borrachinha de gatinho que é pura fofura, uma caderninho de “Keep calm and carry on”, uma cartela de adesivos e um post-it (sou viciada neles) de pinguim. Beijo pro Diego que me deu tudo de presente.

Almoçamos no Kohii, um restaurante que tem como proposta fazer o encontro do Brasil com o Japão. E eles conseguem! O restaurante tem uma decoração incrível com objetos, araras de roupas e diversas revistas brasileiras e japonesas. Essa parte de revistas, em especial, é muito legal. São vários sofás espalhados e se você quiser tomar só um café e ficar ali lendo, pode sentir-se à vontade. As paredes são forradas com jornais dos dois países e o cardápio, é claro, também faz uma mistura gastronômica bem legal.

Ainda passeamos por diversas lojas do bairro – inclusive em um sebo onde achei uma edição de “Lolita” que me acompanhou na viagem de volta – e depois fomos para o apartamento porque já tava na hora de arrumar as coisas pra voltar pra cidade lanche. Demos um último abraço apertado no Caio e na Babi e voltamos pra Bauru com a esperança certeza de que não esperaremos mais dois anos pra nos reunir.

  • Tirando as fotos de Instagram que são minhas, as outras são todas da Babi – essa gênia da fotografia. Deixei bem marcadinho quais são de Instagram porque né, as fotos da Bá se sentiriam ofendidas. Pra quem (até parece que não) se apaixonou pelas fotos dela, Babi tem uma lojinha online, a Mouton. Se ainda não garantiu seu presente de Natal, tá aí a oportunidade!
  • Tem muitas mais fotos da viagem, mas que ainda não estão comigo. As que já estão vou colocar aqui embaixo, e quando as outras chegarem, faço um post só de fotos :)

1

instagram.com/paulinhav

instagram.com/paulinhav

4

5

babi caio

instagram.com/paulinhav

6

7

8

9

instagram.com/paulinhav

instagram.com/paulinhav

10

11

euebabi

instagram.com/paulinhav

12

diepaulinha 003a

diepaulinha 103a

Monte Verde: dias para nunca mais esquecer

Já faz duas semanas que voltei da viagem de Monte Verde, mas quando fecho os olhos nem preciso de muito esforço pra lembrar de cada segundo do passeio e de cada vista maravilhosa que tivemos por lá. Como tinha adiantado por aqui, eu tava mega animada pra essa viagem porque além de ser a minha primeira viagem com o Diego – nós fomos pra Brotas esse ano pra descer corredeira e se divertir à beça, mas foi bate e volta e não teve um gostinho tão especial quanto dessa vez – ainda ia ser para um lugar lindo e frio, o que já contribuiu em 90% da nossa ansiedade. Mas tanta demora e ansiedade valeu a pena. Valeu muito a pena!

Bem na entrada da cidade!

Monte Verde não á uma cidade, como eu pensava antes de ir para lá. Na verdade, o lugar é distrito de Camanducaia e fica bem depois da divisa de São Paulo com Minas Gerais. Aliás, a gente fez a maior festinha no carro quando cruzamos a fronteira do estado, porque por mais besta que possa parecer uma simples “divisão imaginária”, os outros estados brasileiros são motivo de muita curiosidade pra mim. Em Florianópolis percebi como as coisas funcionavam tão diferente por lá do que eram aqui no território paulista e, em Monte Verde, todas as máximas da vida mineira se confirmaram ser verdade. Então quando atravessamos a divisa do estado fizemos uma pequena comemoração no carro e o Diego já virou na mesma hora para mim e disse “Tá sentindo o cheiro de queijo?”. This is my boy.

A estrada pra lá tem umas vistas assim, bem feinhas #soquenao

Quando você vai chegando perto do distrito começa a dar um friozinho na barriga. A estrada é de mão simples, cheia de curvas e já vai te presenteando com vistas maravilhosas! São muitas montanhas e vales e uma imensidão verde pra se perder de vista. As placas no caminho já mostram que o lugar é um ponto turístico muito conhecido: são tantas pousadas, chalés e hotéis que você fica até um pouco perdida.

E finalmente chegamos mesmo em Monte Verde!

Fiquei encantada pela arquitetura do lugar

Lá tem passeios de todos os tipos. A gente foi mais pra descansar e deixar o romantismo aflorar (haha) então fizemos coisas mais tranquilas como patinar no gelo e subir a Pedra Redonda. Primeiro: patinar no gelo é uma das coisas mais gostosas desse mundo! No começo eu tava toda apreensiva me segurando no namorado – que logo de cara saiu patinando como se tivesse feito isso desde a hora que nasceu – e pela quina da pista, mas não demorou muito pra eu ver que era fácil, fácil. Acredite em mim, se você já patinou alguma vez na vida, com patins normais mesmo eu digo, vai ser moleza se acostumar no gelo. Só sei que aquela meia hora que a gente achou que fosse demorar pra passar, passou tão rápido que fez a gente ficar com cara de quero mais ainda um tempão depois. E segundo: a Pedra Redonda é mais difícil do que eu imaginava pra subir, mas o esforço valeu super a pena. Eu adoro montanhas, adoro trilhas e me senti recompensada quando cheguei lá em cima. Foi chato por um lado porque tinha chovido mais cedo naquele dia e daí tinha uma neblina pavorosa que não deixava a gente enxergar um palmo na frente do nariz. Dava ainda mais medo porque ela ficava mais espessa a cada minuto que a gente ficava lá em cima e na hora de voltar rolou até um certo medinho de não conseguir ver o caminho, anyway, no final das contes deu certo.

O começo da trilha…

No topo!

No topo, com foto babona tirada pelo namorado e – reparem! – a neblina ao fundo

Mas isso é pouco perto de tudo que dá pra fazer por lá. Dá pra andar a cavalo (tinha cada potrinho que era a coisa mais linda desse mundo!), fazer rafting, passear de jipe pela montanha, fazer arborismo e mais 1416341 trilhas que levam para diferentes pontos da região. E, claro, passear e ver uma infinidade de lojinhas que vendem um pouco de tudo: desde roupas até móveis antigos, velas, lembrancinhas, chocolates, compotas… A lista vai longe!

As lojinhas são assim :)

Como gordita que sou, as comidas são sempre um capítulo à parte. E como comida mineira é boa! Ela tem um tempero muito peculiar e eu acho engraçado como eles amam essa coisa de fartura. O prato que pra eles era pra uma pessoa dava pra umas três Paulinhas, sem exagero. De restaurante eu recomendo o “Villa Amarela” que fica bem na entrada da cidade e que tem uma comida deliciosa e um preço ok. Achei legal que o lugar tem um barzinho bem agitado e que tem uma vista que dá pra ver uma parte da rua central do distrito e uma parte do jardim deles. Ainda na lista de indicações, incluo o “Ribas”, que é bem aconchegante e romântico e o “Trás os Montes”, que toca rock de todas as décadas e fica num ponto bem alto da cidade, proporcionando uma vista maravilhosa.

A compra dessa compota foi um pedido da @babimouton que, é claro, foi cumprido sem muito sacrifício

A vista do restaurante “Ribas” mostrando parte da rua central do distrito

Outro ponto alto da viagem foi o hotel. Ok, que a gente ficou muito mais tempo aproveitando a viagem e as belezas do distrito do que trancafiados dentro do quarto, mas não posso deixar de falar que amei o lugar, o atendimento, o serviço de quarto, o aconchego, enfim, tudo. E sério, acho mesmo que “café da manhã de hotel” podia ser um prato incluso no cardápio dos restaurantes, porque é bom demais! E vamos combinar que fica difícil não se esbaldar naquele café da manhã a)porque tem uma variedade de coisas que você não sabe nem por onde começar e b) a janela do nosso quarto dava para uma casinha onde eram feitos os pães do hotel. Mentalizem o cheiro que era aquilo logo ao acordar!! E ah, O hotel é o Green Village. Uma graça de lugar!

Meu cantinho de estudo no hotel. Sim, falei certo, estudo… Ossos do ofício.

A gente acordava, abria a janela e tinha um bosque cheio de esquilinho e um cheiro delicioso de pão caseiro

Temperatura <3

A única coisa que me deixou triste na viagem foi quando saímos da parte turística e fomos ver como era de fato o lugar em que os habitantes de Monte Verde moram. Me senti, de certa forma, mal pela situação. A população é extremamente pobre, as ruas não são asfaltadas e as casas são bem pequenas, com uma estrutura precária. Pra quem saía da parte turística e via essa parte da cidade era um choque – ou, pelo menos, deveria ser – difícil de explicar. Depois que voltei de lá tentei me informar mais sobre a situação e parece que mudanças no sentido de tornarem o lugar mais habitável já ocorrem há muitos anos, sem grandes avanços. Triste é o mínimo que posso dizer.

Da série: detalhes charmosos

E claro que Monte Verde não se contenta em ter montanhas e comidas caseiras deliciosas. Eles têm a sua própria fábrica de chocolate, que te deixa com a sensação de que qualquer outra barra ou bombom que você experimentar depois que sair de lá, vai soar fake da primeira à última mordida.

Há um carinho todo especial com cada bombom. É um trabalho artesanal tão bonito (e gostoso!) que você quer comprar um chocolate de cada tipo, cada sabor, cada forma. Dá pra se divertir e engordar bastante, eu diria.

Uma pequena amostra dos bombons de lá

E claro que a gente trouxe compotas (alô, doce de leite com maracujá),queijos, lembrancinhas, comprinhas (o suéter de poás aqui de baixo foi presente do namorado) e mais um monte de lembranças que vão ficar pra sempre com a gente. Seja em nossa mente ou em nosso coração.

E que venham muitas outras viagens!

O tal do suéter de poás e foto no espelho (tão anos 90)

Ps1: sim, a qualidade das fotos não ficou muito ok. Claro que eu lembrei de levar tudo, menos a máquina fotográfica que ficou em cima da cômoda. Daí o jeito foi apelar para a câmera do Iphone.

Ps2: hoje eu e o Diego fazemos três anos e meios de namoro. Nem três dias e meio, nem três meses e meio. TRÊS ANOS E MEIO. Obrigada, Di, por me fazer feliz há cada segundo de todo esse tempo.

Dear diary e novo destino

Tava aqui pensando e cheguei a conclusão que o In Wonderland é um espaço MUITO maluco. Eu escrevo praticamente tudo por aqui em forma de diarinho, mas de vez em quando decido fazer um post super inusitado, tipo contando do Clube ou de como games vão muito além do entretenimento. E já até cheguei a me arriscar com uns textos mais introspectivos! hahaha. Mas, no final das contas, o diarinho prevalece. E fico feliz de saber que tem gente que lê as coisas românticas/bobinhas/verdadeiras que escrevo por aqui, mesmo sendo todo esse caos de temas que é.

Desde que fiz um meme por aqui, bem no começo do ano, um pessoal começou a visitar mais o blog, a comentar e falar sobre algumas coisinhas que eu escrevo. E eu vou confessar que to achando tudo muito legal!

Eu sempre tento postar mais rapidamente, mas como isso daqui sempre foi e sempre vai ser meu “diário da internet” (tão anos 90 isso!), acho difícil mudar :(

Mas enfim, essa enrolação toda é pra dizer que sempre vou achar o máximo imaginar que minhas angústias, felicidades, pirações, textos e histórias chegam pra pessoas que eu nunca vi na vida e que provavelmente nunca verei e que, mesmo assim, tem uma pá de gente disposta a ser gentil, a rir junto comigo, a se surpreender com alguma história que eu também me surpreendi. Eu abri meu “diário” pras pessoas lerem e de repente me senti tocada ao perceber que as coisas ficam mais bonitas quando são compartilhadas.

Então, obrigada pra você que vem aqui (não me interessa se é uma pessoa ou mil) e me torna um tico mais feliz! Fico contente de receber um comentário, mas mesmo que isso não aconteça, tudo fica bem mais doce ao saber que alguém “perdeu” uns segundinhos por aqui.

O In Wonderland sempre vai ser um blog sem compromisso, um canto totalmente meu de desabafos, mas saber que há tanta gente que me entende, que se parece comigo ou até que é tão diferente de mim e por isso expressa alguma opinião que me faz pensar “nossa, mas será?” é o m-á-x-i-m-o!

Mas vamos ao que interessa e que nem tem nada a ver com esses comentários enfofados aí de cima. Hahaha.

Hoje pego estrada rumo a casa do namorado, que mora em Mogi Mirim (interior de SP) e de lá, na sexta de manhã, vou pra Monte Verde, em Minas Gerais. Eu nunca fui pra lá, mas já conheci muita gente que foi e amou! E como eu e o Diego estamos ensaiando uma viagem bem romântica e só nossa desde 2009, quando a gente começou a namorar, – e nunca dava certo principalmente porque um: tem que rolar um planejamento financeiro; dois: a gente não conseguia conciliar férias no trabalho ao mesmo tempo – finalmente ter a nossa viagem de sonhos é um presente de fim de ano indescritível.

Mal posso esperar pra vasculhar cada cantinho da cidade, curtir muito a companhia do mon amour e ter alguns dias – mais do que merecidos – de descanso. E assim como fiz na época da Luminosidade e na época de Florianópolis, faço um post resumão aqui de toda a viagem depois!

O mais bacana é que como conheci muita gente que foi pra lá, já to cheia de referências de lugares pra conhecer. To fazendo uma lista com tudo que captei e tudo que achei na internet pra não ter erro. Mas olha, em situações assim eu super me permito não seguir tudo à risca. Até porque é legal ter alguns pontos de referência bacanas pra conhecer, mas o gostinho de se jogar no desconhecido e em lugares “inexplorados” é tão mais gostoso!

Mas antes mesmo de pegar estrada (e o motivo real desse post), uma coisa me deixou meio paranóica: fazer mala.

Eu até que não tenho muita preguiça pra fazer mala (desfazer é o grande problema), mas sempre rolam sérias dúvidas do que devo ou não levar. Até porque em Mogi a temperatura vai estar em torno dos 40º (omfg!) e em Monte Verde, onde já olhei o climatempo, chegaremos até os 13º (iupi!). Agora me diz, como fazer uma mala assim?!

Daí que xeretando pela internet achei esse post incrível da Oficina de Estilo! Tudo bem que no meu caso as coisas tão meio que ao contrário, já que a lista das meninas é pra uma viagem de aproximadamente 15 dias e em um lugar quente, e eu estarei quatro dias e (por mais tempo) em um lugar frio. mas a lista pode até não ter valido pra mim, mas vai que serve super pra alguém que esteja lendo esse texto aqui? Então decidi vir compartilhar :)

Na verdade, o que eu mais gostei do texto e que fez uma diferença enorme na hora de fazer a minha mala (está fazendo, na verdade, porque ainda to aqui montando haha) foram as dicas finais. Acho super válidas! E eu sempre to indo de lá pra cá nos feriados já que moro em Bauru, mas minha família em outra cidade, então fica de lição pra vida e pra toda nova mala que eu for montar.

Agora vou pra lá terminar toda a organização que logo mais é hora de pegar estrada. Quem aí vai me desejar boa viagem? ;)

Foster the people – Pumped up Kicks (Música pra estrada)

Lá na ilha da Magia

A família do meu pai é toda do sul, assim, no sentido geral mesmo, sem nenhuma área específica. Todos sempre foram bem espalhados pela região, dificultando ainda mais nossas visitas. A distância, a não convivência desde sempre – nasci quando meu pai já havia se mudado para o interior paulista – e a vida-nossa-de- todo-dia impediram que eu os visitasse mais. Meu pai foi algumas vezes sozinho, mas a última vez que lembro de viajar para as terras geladas do sul do país foi lá pelos meu oito anos de idade. As lembranças são poucas, bem poucas, e há todo um outro sentido quando você cresce e volta a lugares da infância. Viajar com seus pais é ótimo, mas viajar depois que você já saiu de casa, depois que você aprendeu a caminhar com suas pernas é uma diferença assombrosa. É apreciar as coisas de forma mais madura, de saber curtir e entender as diferenças da cultura local, aprender com outras pessoas, com outros lugares, com outras sensações. E daí que meu destino da semana passada foi um desses lugares que já havia visitado quando pequena, mas que ganhou todo um outro significado quando re-conhecido.
O destino foi Florianópolis, ou como é popularmente conhecida e eu prefiro chamar, Ilha da Magia.

Imagem 12 e 3 via weheartit

O motivo da viagem foi profissional, já que fui para Floripa trabalhar no 5º CIDI – Congresso Internacional do Design da Informação. Além do que eu aprendi nesse trabalho, houve todo um aprendizado fora ele, focado nessa cidade linda e limpa. E a ênfase do limpa aí é toda verdadeira, porque de todas as coisas que mais me surpreenderam em Florianópolis, limpeza  e educação no trânsito estão no top five. Foram dias e mais dias de chuva – o senhor sol só resolveu nos dar um olá no último dia – e ainda assim, depois de tanta água rolando, a cidade continuava do mesmo jeitinho. Organizada, com as ruas livres e as calçadas te convidando para uma caminhada. Nada de lixo entupido em bueiros, nada de quinquilharias trazidas pela água.

Quanto ao trânsito, bem, eu estaria mentindo se dissesse que não escutei uma buzina, porque foi bem isso mesmo, escutei apenas uma buzina num momento em que o ato se fazia necessário. Ai, que bom seria se o silêncio fosse assim sempre bem-vindo. Assim como a educação em parar o carro assim que você coloca seus pés na faixa de pedestre.

E aí que a Ilha da Magia não estava apenas satisfeita em me encantar com sua estrutura urbana, mas tinha que me encantar também com suas praias, com a Lagoa Conceição, com Santo Antônio de Lisboa…

Santo Antônio de Lisboa foi o local escolhido para o nosso jantar do primeiro dia – as comidas da viagem mereciam um post a parte, mas tudo bem – e não poderia haver melhor apresentação. O lugar é um vilarejo de Florianópolis de colonização açoreana que te faz imaginar estar entrando num mundo paralelo ao real. A arquitetura não mudou ao longo dos anos, e até seus habitantes parecem ter parado no tempo. Ainda hoje as festas de antigamente são preservadas, como a Festa do Divino Espírito Santo, o Termo de Reis e o Cacumbi. Tudo acontece num outro tempo, num outro mundo. Ladeando o vilarejo está o principal astro do lugar, o mar, já que a pesca é o que movimenta o comércio local. Olha, vou dizer que foi uma das cenas mais lindas da minha vida sentar em frente aquela imensidão azul e ver aqueles barquinhos pesqueiros espalhados pela água.  Me lembrou “Impressão, nascer do sol” do Monet.

"Impressão, nascer do sol" Claude Monet (1872) - considerada a principal obra do movimento Impressionista

Como o motivo da viagem foi trabalho e não passeio, até o almoço de quarta-feira passei a maior parte do meu tempo na UFSC, a Universidade Federal de Santa Catarina, sede do evento. Vou contar que apesar de todas as reinvindicações, da tomada da reitoria e de todas as coisas que estavam rolando na faculdade nesse tempo, eu vi muita pouca coisa, porque o CIDI rolou em um prédio afastado das manifestações.

Os prédios da faculdade eram totalmente espalhados por uma área sem cerca, como se fosse uma grande praça com vários prédios ao redor. Há uma outra interação entre faculdade e cidade, tornando o espaço como um lugar público e relacionando cidadãos e estudantes. Bem diferente das grades das nossas faculdades daqui. E isso nem é uma crítica, só acho que essa interação acontece de forma diferente pela localidade e pelas questões culturais, o que não deixo de apreciar.

No evento conheci pessoas de todas as regiões do Brasil, e muitos de fora do país. A professora Catherine Dixon, da Central Saint Martins (olhos brilhando), o professor Fábio Campos, com quem tive um dos papos mais incríveis sobre tecnologia/videogame, estudantes de graduação e pós da PUC-Rio e uma infinidade de gente que tornou minhas noites e meus jantares mais interessantes e proveitosos.

Aliás, a comida…

Eu poderia falar sobre todas as coisas boas que provei em Florianópolis. Poderia falar que o peixe deles é o nosso feijão com arroz, e que mesmo sendo apaixonada por peixe, minha alergia não permite que eu coma muito. O jeito é apelar para outras opções. Poderia falar que visitei lugares incríveis, como o Restaurante Chão Batido que fica em Santo Antônio de Lisboa, ou do restaurante que tem a “sequência de camarão”, que é o prato típico da ilha. Mas não posso deixar de falar que provei o melhor risotto da minha vida! O lugar chama Café Cultura, é um bistrô bem simpático e com ótimo atendimento. Se for, não deixe de provar o risotto de filé ;) A comida do hotel também é gostosa e os quartos são muito aconchegantes. Recomendo também.

Mas a melhor parte da viagem ainda estaria por vir. Na quarta-feira, penúltimo dia e único em que aquela chuva fina e rala resolveu ir embora e o sol se prontificou a aparecer, logo depois do almoço e do fim oficial do congresso, nós fomos de fato conhecer a cidade. Primeiro o lado sul. A praia da Joaquina, ou praia da “Joaca” é assim… linda. E vou dizer que nem liguei para o fato de ter saído toda empolgada para o mar e ter quase congelada quando a água chegou até mim – a praia é a mais gelada de toda a ilha. Ainda no sul da ilha fomos correr nas dunas e enquanto estávamos lá havia uma equipe de filmagem gravando uma cena, mas não faço ideia para onde era. Então, se me ver aparecendo de feliz em algum lugar por aí, favor avisar.

No lado lesta da ilha conhecemos a Praia Mole que tem um nome bem condizente… mesmo no raso quanto a água sobe e chega até a praia, a areia afunda. Por esse motivo ela é mais frequentada por surfistas e os banhistas acabam preferindo outras praias com menos aventura e nada de surpresas :P

Durante o trajeto para o norte paramos no mirante da Lagoa da Conceição que é passagem obrigatória para quem for para a cidade. A Lagoa, inclusive, é a parte mais agitada da ilha, cheia de restaurantes e bares que agitam a vida noturna de Florianópolis.

Finalmente no lado norte da ilha conhecemos a Praia das Canasvieiras. Trouxe uma conchinha de lá, que foi um dos presentes de viagem para o Di. Por último fomos tomar um café em Santo Antônio de Lisboa, e andando pelas ruas do lugar, deu ainda mais vontade de voltar para lá e conhecer melhor cada canto daquele vilarejo.

Mas né, o passeio acabou, quinta-feira estava de volta à Bauru e na sexta já voltei para a realidade. Não que seja ruim, mas Florianópolis me deixou com um gostinho de quero mais. Bom, final do ano já tá quase aí mesmo. Quem sabe, né…

As fotos abaixo foram tiradas no passeio do último dia.

A minha São Paulo

Quando as pessoas ficam sabendo que estou trabalhando em São Paulo, a primeira pergunta que vem à baila é sempre a mesma: “Ta gostando da cidade?” Podem ter algumas variações do tipo se ‘adaptando’, ‘curtindo’ e outras, mas no final das contas o sentido é o mesmo. E minha resposta vem primeiro no sorriso estampado na cara e depois na confirmação sonora.

E afinal porque eu não estaria gostando? São Paulo pára com a chuva, isso é fato, mas todo dia eu ando pela Avenida Paulista de olhos vidrados naquelas pessoas apressadas. Indo para o trabalho, indo estudar, passeando pelas lojas…os motivos podem ser vários, mas a Paulista tem uma magia, um magnetismo que faz milhões de pessoas passarem por ali, com caminhos, histórias e vidas completamente diferentes e mesmo assim, inspirarem umas as outras de forma incrível. Não sei, talvez seja algo que só quem ta de fora, quem não freqüente e passe a vida toda por ali possa sentir. Mas sinceramente eu acho que não. Acho que se eu passasse todo o resto da minha vida caminhando por aquela avenida, mesmo assim sentiria todo dia esse sentimento estranho de não pertencimento a nada – é um turbilhão em movimento – e, ao mesmo tempo, um sentimento de fazer parte de algo, de uma coisa maior que faz o mundo girar.

É um sentimento meio maluco e acho que por mais que tente explicar isso para os outros, bem, no final eu acabo não conseguindo explicar completamente.

Mas então, quando me perguntam se estou gostando de São Paulo, como posso dizer o contrário? Como posso dizer que aquela cidade é feia, tenebrosa, se eu não conheço esse lado? É muito simples falar que São Paulo é um encanto porque pra mim, pelos lugares que passo, pelo que sinto ela realmente é. E aí que trilhões de pessoas podiam passar por isso e simplesmente nem pensarem no outro lado, nem pensarem na São Paulo cinzenta que assalta, que polui, que destrói. Mas eu aproveito a minha São Paulo enquanto penso nessa outra São Paulo. Ela não ter uma forma muito definida pra mim… não vivi sequer um dia nela pra contar, mas penso que existem duas São Paulo, duas cidades que são absolutamente opostas e que só alguns conhecem. Eu não conheci o outro lado e isso a torna um encanto para mim. Para alguns pode ser um furacão.

É tudo uma questão de ângulo.

Fico feliz por ter a minha São Paulo como um lugar lindo e cheio de vida.

Muita luminosidade

Sempre adorei os finais de ano. Não sei explicar bem ao certo, mas é uma mistura grande de sentimentos. Gosto da felicidade que as pessoas parecem sentir nessa época, gosto dos enfeites que se espalham pelas casas e cidades (mesmo que nem sempre esses sejam tão bonitos assim), gosto daquela sensação – mesmo que subentendida nos corações e mentes – de que novas histórias estão por vir, de que um novo ciclo se inicia. Dizer que essa época é mágica já virou marketing de final de ano, mas é verdade…. é mágica de uma forma bonita, mágica de um jeito que espalha um sentimento – quase sempre velado – entre as pessoas.

Para mim Natal e Ano Novo sempre foram sinônimo de uma época feliz e acho que esse Natal que se aproxima, quase batendo na porta e entrando de sopetão, encerra um ciclo de coisas boas e ruins na minha vida, e me prepara para um novo ano e novas experiências, aprendizados e lições. É a vida seguindo seu rumo.

No final de ano, sempre rolam festinhas e amigos secretos, e no trabalho não foi diferente. Teve uma confraternização de último dia de trabalho e a entrega de alguns presentinhos entre a equipe. Fora as guloseimas, os presentes e tudo mais, o que fica desse encontro é o clima gostoso que o Natal teima em deixar. Todo mundo se sente mais a vontade, se descontrai, conta as histórias que todo mundo vai lembrar depois. Enfim, a festa fica completa.

Além de tudo ganhei um presente maravilhoso da Anna, gigantesco em tamanho e conteúdo: o livro “Histórias da Moda”.

Mas com a volta pra Leme, com esse quase pé na ceia e essa espera angustiante pela chegada do Diego por aqui, as minhas listas começaram a sair. Como tradição, as listas de final de ano são um balanço do que foi, do que é e do que quero e vou correr atrás pra ser. São meus desejos, sejam eles profissionais, materiais, espirituais para 2011 e, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre o 2010 que vai dando tchau.

Esse ano, no entanto, decidir fazer essa listinha de um jeito diferente. Ao invés de palavras, vou deixar que as imagens falem por mim…

Um Feliz Natal e um Ano Novo maravilhoso pra todo mundo!