Nem só de entretenimento vivem os games

Esse não é um review sobre jogos, que isso fique bem claro. Sim, eu amo jogar, mas diferente do namorado (aka @dieguitoo) meu repertório de jogos não é lá muito vasto e não tenho muita base – nem jogos zerados o suficiente :P – pra falar com propriedade sobre o assunto.

Foi por causa do Diego, inclusive, e desse amor incondicional dele por jogos, que eu comecei a entender muito mais sobre games. Do tipo passar tardes e mais tardes jogando wii com ele e a turma de amigos ou sentar na frente do PS3 e descobrir o jogo mais incrível-foda-real que eu já vi: Heavy Rain. E nem vamos contar as noites insones jogando Left 4 dead 2 (vejam bem, tenho uma conta no steam só por causa dele) ou da minha fixação por Bejeweled, porque aí eu vou ter um sério problema pra calcular quanto tempo eu já ~perdi~ da minha vida. Mas foram esses jogos e muitos outros, além das conversas com o Di, é claro, que me fizeram entender mais sobre cada história, cada personagem e cada detalhe do universo dos games. E aos pouquinhos foi ficando claro pra mim como, a cada dia que passa, essa indústria fica mais forte e conquista adultos, crianças e idosos quase que na mesma proporção. Porque, no fundo, esse papo de “video-game é coisa de criança” é uma das maiores balelas que eu já escutei na minha vida.

Caso você ainda tenha alguma dúvida, peço então que leia essa matéria. Pronto? Então, agora, vamos continuar.

Pode soar de uma pretensão sem fim pra quem acha que tudo se resume a apertar alguns botões, mas afora essa agilidade motora, posso te enumerar uma série de qualidades que tornam os games uma forma de entretenimento extremamente inteligente e perspicaz. Vejamos Heavy Rain, por exemplo. Dando de lavada em muita produção hollywoodiana por aí, o roteiro é extremamente bem feito, com uma história de suspense e drama que mexe com as nossas emoções de uma maneira louca. A questão não é acreditar, de fato, que você é o personagem principal. E sério, algum dia ainda quero que alguém me explique porque tá tudo bem ver um filme de ação com mil tiros, mortes e afins, mas o fato de você matar zumbis (!) em um video-game vai te transformar em um serial killer em potencial. “Ah, mas video-game é em primeira pessoa”. Com sinceridade? Se a pessoa acreditar que o mundo é pura ficção, e viver de fato isso, ela vai ser influenciada por qualquer coisa. Pode sim ser um jogo de video-game, mas pode também ser um filme, uma propaganda, um livro… Se querem culpar alguém, bom, as escolhas estão aí.

Mas como ia dizendo… tá longe de ser só emoção. Pra mim uma das características mais fortes – e inteligentes – de alguns jogos de video-game têm a ver com nosso poder de escolha. Sua decisão interfere no rumo da história. O caminho a ser seguido pode mudar o final de tudo.

Acho que, no fundo, você vira um pouco roteirista também e aprende uma lição que né, pra quem não entendeu nunca é tarde pra começar: todas as nossas escolhas tem consequências. Você pode ser o valentão que só pensa em si mesmo e quer que o mundo inteiro se exploda, mas garanto que em algum momento você vai precisar desesperadamente de todas aquelas pessoas que você deixou pelo caminho, e aí, bom, aí você vai ter que terminar o jogo pra entender que sim, tudo volta. E nem precisa ser uma história épica a la “Heavy Rain” ou “The Walking Dead” pra provar que video-game é muito mais do que “aperta o botão X”. Nosso poder de dedução, perspicácia, rapidez e planejamento – e quem não quer ter tudo isso aprimorado?! – são elevados ao cubo quando se joga Portal. É irônico, é inteligente e deixa no chinelo muito teste lógico por aí.

E como toda indústria de entretenimento, é ótimo que nos faça aprender, que nos faça querer lutar, – e aprender algo novo e torcer pra que as nossas escolhas tenham o resultado esperado e, claro, também saber continuar quando a resposta não for tão positiva assim – mas também é bom que nos emocione, que nos dê um tesão gigantesco e que nos faça querer jogar aquele jogo simplesmente porque é bom. E, céus, como é bom ter um pouco de diversão misturada a tantas outras qualidades positivas.

Ninguém precisa jogar nada pra ser mais inteligente. A gente só precisa – e deve – jogar pelo prazer. As consequências, bom, jogue e você verá por si mesmo.

Ps: Não falei de “Limbo” no texto, mas tá recomendadíssimo também :)

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5 pensamentos sobre “Nem só de entretenimento vivem os games

  1. Uau. Sou fã de games, mas acho que nunca pensei com tanta profundidade no assunto. Ótimo texto. Fiquei com muita vontade de jogar heavy rain, haha. E concordo que videogame gera tantos serial killers quanto filmes ou livros. Vai da cabeça de cada um, né.

    Beijos

  2. Pingback: Dear diary e novo destino | In wonderland

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