Ela acreditava em anjos. E, porque acreditava, eles existiam.

Faz algum tempo comecei a ler o livro “Clarice – Uma vida que se conta”, uma mistura de biografia com análise literária das obras de Clarice Lispector. O livro foi construído a partir das pesquisas empreendidas pela autora, Nádia Battella Gotlib, dos depoimentos de amigos e familiares e de trechos de livros, cartas e entrevistas que a própria Clarice concedeu.

Afora a beleza que a gente vai captando aos pouquinhos, conforme avançam as descobertas sobre o tempo e o modo como cada um de seus livros foi escrito, o que mais me tem impressionado é a própria forma que Clarice tinha de enfrentar o mundo.

Acho que tenho a achado mais humana, por assim dizer.

Para mim, Clarice foi quase sempre uma outra personagem de suas histórias e, apesar de no livro entendermos que ela realmente misturava muitas de suas características às personagens que criava, fica claro o tamanho de sua humanidade. Ela mesma tinha dúvidas quanto a isso, como se o fato de poder dizer ser um ser humano fosse algo um tanto raro, um tanto heroico se verdadeiro.

Clarice sempre procurou por algo que parece nunca ter encontrado.Um sentimento (felicidade?), um porto seguro, (apesar de considerar o Brasil seu verdadeiro lar) um sentido na vida que tantas vezes pareceu-lhe impossível de alcançar. É meio desesperador observar essa procura dela, que não tem um alvo certo e que parece ser um ciclo sem fim.

Ainda faltam boas páginas para terminar a obra e, mesmo assim, sinto que entender o que Clarice buscava e como ela enxergava o mundo é algo que não pode ser compreendido assim, de supetão.

É humano demais.

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