Lá na ilha da Magia

A família do meu pai é toda do sul, assim, no sentido geral mesmo, sem nenhuma área específica. Todos sempre foram bem espalhados pela região, dificultando ainda mais nossas visitas. A distância, a não convivência desde sempre – nasci quando meu pai já havia se mudado para o interior paulista – e a vida-nossa-de- todo-dia impediram que eu os visitasse mais. Meu pai foi algumas vezes sozinho, mas a última vez que lembro de viajar para as terras geladas do sul do país foi lá pelos meu oito anos de idade. As lembranças são poucas, bem poucas, e há todo um outro sentido quando você cresce e volta a lugares da infância. Viajar com seus pais é ótimo, mas viajar depois que você já saiu de casa, depois que você aprendeu a caminhar com suas pernas é uma diferença assombrosa. É apreciar as coisas de forma mais madura, de saber curtir e entender as diferenças da cultura local, aprender com outras pessoas, com outros lugares, com outras sensações. E daí que meu destino da semana passada foi um desses lugares que já havia visitado quando pequena, mas que ganhou todo um outro significado quando re-conhecido.
O destino foi Florianópolis, ou como é popularmente conhecida e eu prefiro chamar, Ilha da Magia.

Imagem 12 e 3 via weheartit

O motivo da viagem foi profissional, já que fui para Floripa trabalhar no 5º CIDI – Congresso Internacional do Design da Informação. Além do que eu aprendi nesse trabalho, houve todo um aprendizado fora ele, focado nessa cidade linda e limpa. E a ênfase do limpa aí é toda verdadeira, porque de todas as coisas que mais me surpreenderam em Florianópolis, limpeza  e educação no trânsito estão no top five. Foram dias e mais dias de chuva – o senhor sol só resolveu nos dar um olá no último dia – e ainda assim, depois de tanta água rolando, a cidade continuava do mesmo jeitinho. Organizada, com as ruas livres e as calçadas te convidando para uma caminhada. Nada de lixo entupido em bueiros, nada de quinquilharias trazidas pela água.

Quanto ao trânsito, bem, eu estaria mentindo se dissesse que não escutei uma buzina, porque foi bem isso mesmo, escutei apenas uma buzina num momento em que o ato se fazia necessário. Ai, que bom seria se o silêncio fosse assim sempre bem-vindo. Assim como a educação em parar o carro assim que você coloca seus pés na faixa de pedestre.

E aí que a Ilha da Magia não estava apenas satisfeita em me encantar com sua estrutura urbana, mas tinha que me encantar também com suas praias, com a Lagoa Conceição, com Santo Antônio de Lisboa…

Santo Antônio de Lisboa foi o local escolhido para o nosso jantar do primeiro dia – as comidas da viagem mereciam um post a parte, mas tudo bem – e não poderia haver melhor apresentação. O lugar é um vilarejo de Florianópolis de colonização açoreana que te faz imaginar estar entrando num mundo paralelo ao real. A arquitetura não mudou ao longo dos anos, e até seus habitantes parecem ter parado no tempo. Ainda hoje as festas de antigamente são preservadas, como a Festa do Divino Espírito Santo, o Termo de Reis e o Cacumbi. Tudo acontece num outro tempo, num outro mundo. Ladeando o vilarejo está o principal astro do lugar, o mar, já que a pesca é o que movimenta o comércio local. Olha, vou dizer que foi uma das cenas mais lindas da minha vida sentar em frente aquela imensidão azul e ver aqueles barquinhos pesqueiros espalhados pela água.  Me lembrou “Impressão, nascer do sol” do Monet.

"Impressão, nascer do sol" Claude Monet (1872) - considerada a principal obra do movimento Impressionista

Como o motivo da viagem foi trabalho e não passeio, até o almoço de quarta-feira passei a maior parte do meu tempo na UFSC, a Universidade Federal de Santa Catarina, sede do evento. Vou contar que apesar de todas as reinvindicações, da tomada da reitoria e de todas as coisas que estavam rolando na faculdade nesse tempo, eu vi muita pouca coisa, porque o CIDI rolou em um prédio afastado das manifestações.

Os prédios da faculdade eram totalmente espalhados por uma área sem cerca, como se fosse uma grande praça com vários prédios ao redor. Há uma outra interação entre faculdade e cidade, tornando o espaço como um lugar público e relacionando cidadãos e estudantes. Bem diferente das grades das nossas faculdades daqui. E isso nem é uma crítica, só acho que essa interação acontece de forma diferente pela localidade e pelas questões culturais, o que não deixo de apreciar.

No evento conheci pessoas de todas as regiões do Brasil, e muitos de fora do país. A professora Catherine Dixon, da Central Saint Martins (olhos brilhando), o professor Fábio Campos, com quem tive um dos papos mais incríveis sobre tecnologia/videogame, estudantes de graduação e pós da PUC-Rio e uma infinidade de gente que tornou minhas noites e meus jantares mais interessantes e proveitosos.

Aliás, a comida…

Eu poderia falar sobre todas as coisas boas que provei em Florianópolis. Poderia falar que o peixe deles é o nosso feijão com arroz, e que mesmo sendo apaixonada por peixe, minha alergia não permite que eu coma muito. O jeito é apelar para outras opções. Poderia falar que visitei lugares incríveis, como o Restaurante Chão Batido que fica em Santo Antônio de Lisboa, ou do restaurante que tem a “sequência de camarão”, que é o prato típico da ilha. Mas não posso deixar de falar que provei o melhor risotto da minha vida! O lugar chama Café Cultura, é um bistrô bem simpático e com ótimo atendimento. Se for, não deixe de provar o risotto de filé ;) A comida do hotel também é gostosa e os quartos são muito aconchegantes. Recomendo também.

Mas a melhor parte da viagem ainda estaria por vir. Na quarta-feira, penúltimo dia e único em que aquela chuva fina e rala resolveu ir embora e o sol se prontificou a aparecer, logo depois do almoço e do fim oficial do congresso, nós fomos de fato conhecer a cidade. Primeiro o lado sul. A praia da Joaquina, ou praia da “Joaca” é assim… linda. E vou dizer que nem liguei para o fato de ter saído toda empolgada para o mar e ter quase congelada quando a água chegou até mim – a praia é a mais gelada de toda a ilha. Ainda no sul da ilha fomos correr nas dunas e enquanto estávamos lá havia uma equipe de filmagem gravando uma cena, mas não faço ideia para onde era. Então, se me ver aparecendo de feliz em algum lugar por aí, favor avisar.

No lado lesta da ilha conhecemos a Praia Mole que tem um nome bem condizente… mesmo no raso quanto a água sobe e chega até a praia, a areia afunda. Por esse motivo ela é mais frequentada por surfistas e os banhistas acabam preferindo outras praias com menos aventura e nada de surpresas :P

Durante o trajeto para o norte paramos no mirante da Lagoa da Conceição que é passagem obrigatória para quem for para a cidade. A Lagoa, inclusive, é a parte mais agitada da ilha, cheia de restaurantes e bares que agitam a vida noturna de Florianópolis.

Finalmente no lado norte da ilha conhecemos a Praia das Canasvieiras. Trouxe uma conchinha de lá, que foi um dos presentes de viagem para o Di. Por último fomos tomar um café em Santo Antônio de Lisboa, e andando pelas ruas do lugar, deu ainda mais vontade de voltar para lá e conhecer melhor cada canto daquele vilarejo.

Mas né, o passeio acabou, quinta-feira estava de volta à Bauru e na sexta já voltei para a realidade. Não que seja ruim, mas Florianópolis me deixou com um gostinho de quero mais. Bom, final do ano já tá quase aí mesmo. Quem sabe, né…

As fotos abaixo foram tiradas no passeio do último dia.

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6 pensamentos sobre “Lá na ilha da Magia

  1. acho que devia ser uma crítica, sim, o fato das nossas universidades não saberem seus lugares pra comunidade. às vezes a gente olha demais pra fora, pros rankings internacionais, padrões mundiais, e esquece que o espaço é público e que o conhecimento, além de ser em princípio livre, também é ponto de encontro.

    de resto, não fosse minha viagem do rio estar quase totalmente agendada no verão, eu estaria super propensa a mudar o destino pra floripa, com toda essa sua descrição, paulinha!

  2. Você conheceu o que há de elhor naquela parte do mundo. Mais para baixo, você não gostaria. é um lugar para pescadores , entre o Sul do SC e o Norte do Rio Grande do Sul. Atualmente ,com a mudança climática, as frentes frias estão entrando por lá e detonando a pesca. Mais para cima você vai voltar e conhecer Bombinhas, porque aquilo tem um pouco de tudo o que você falou , é gostosa, bonita, gente bonita, e você entra, pela B R 101 sentido SPaulo, para Porto Belo. Só ir indo . à noite vá a Por Belo comer naquele restaurante que é um nvio por dentro. O resto Fica pra ti. E , se não ficou sabendo, à beira direita da entrada para CAnasvieiras existe um mangue natuural, mantido pela Universidade e que se junta a ela e à ilha do jeito ue foi criado . Coisa de er. Não deixe de ir à Jurerê. passe um tempo lá e volte sorrindo.

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