Pra não dizer que não falei dos espinhos

E cada vez mais isso se torna um diário. Um diário que não tem uma regularidade tão grande assim como a maioria e que nem ao menos se dá ao trabalho disso, mas um diário que me serve de bálsamo, de desabafo, de grito muitas vezes (mesmo que poucas). E o engraçado é que muitas vezes acontecem algumas coisas, alguns momentos e algumas pessoas que cruzam meu caminho e eu penso “preciso chegar em casa e escrever sobre isso”. E escrevo, e choro e gargalho, tudo ao mesmo tempo. E isso vem parar aqui no blog de alguma forma, mesmo que não literalmente, mas em reflexos.

E é irônico, se não contraditório, que esses ataques de choros, desabafos e gritos venham em muitas das minhas passagens por essa cidade. Essa cidade que me abrigou por tanto tempo, que me traz tantas coisas em mente e que ao mesmo tempo me parece tão fria e tão perdida. Então, numa conversa com a Bárbara – enquanto todo mundo pula carnaval e eu olho pra tela desse computador esperando que alguma coisa me chacoalhe e me faça ter vontade de jogar os confetes pra cima e cantar uma marchinha velha de carnaval – ela me fala sobre passado e a gente discute sobre o que fizemos, quem éramos e o que nos tornamos.

E pra mim isso faz um sentido tão grande quando piso nesse lugar, nesse lugar pra mim que não tem nem nome, mas que me lembra de coisas tão esquecidas (ou que eu procuro desesperadamente esquecer), mas que parecem que sempre vão mesmo me perseguir. E eu invento desculpas, literalmente, pra não precisar aparecer em cena, pra não precisar reviver esses capítulos tão bestamente tristes em que eu achava que podia haver um pingo de felicidade.

E sabe o que é pior? O pior mesmo é depois de 4165416 capítulos transcorridos, aquelas mesmas pessoas e aquelas mesmas situações te atingirem com uma dor insuportavelmente sentida. Não que me atinjam da mesma maneira, porque há muito deixei de ser aquela menininha tonta e ingênua que chorou desconsolada numa noite velha de carnaval, e que prometeu que aquele seria o último, o derradeiro carnaval daquele jeito, naquela situação. A partir dali, vida nova. E assim foi. Então a dor não é a mesma. Não é física, não é ressentida. Nem ao menos é de vingança. É a dor por ter sentido a dor ainda quando não podia agüentar. Aí lembro da cena desse mesmo velho carnaval e me pergunto: “Não podia mesmo? Mas eu to aqui, não to?” Então, talvez não seja nem dor, muito menos raiva. É só uma sensação aborrecida de quando você vê um filme velho chato, com uma história tão comum e tão contida.

Odeio essa palavra em tantos sentidos… Odeio essa coisa fechada, obtusa, CONTIDA desse lugar, dessas pessoas, desse universo. E por mais que eu tenha perdoado certas pessoas, certas atitudes e certas situações, por mais que hoje eu olhe isso tudo e faça um muxoxo por ver que aquilo tudo era tão patético, odeio voltar pra esse lugar e sentir que isso tudo cheira a tristeza.

Porque tristeza tem cheiro, tem som e tem endereço.

Mas no final, quando eu sair de novo daqui, e mesmo quando eu voltar e reencontrar de fato as pessoas que me são caras, bem, no final meu lugar não é mais aqui e nunca mais será. E isso por si só já me faz sentir a pessoa mais sortuda e feliz do mundo.

Obrigado especial ao Diego, que talvez não tenha nem idéia de como me faz feliz.

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