Férias… de uma semana, mas férias.

Eu terei férias completas mesmo apenas em fevereiro, mas enquanto isso consegui essa semana de folga pra me fingir de intrusa no mundo e não preocupar com nada nem ninguém, no bom e velho estilo let it be. A semana fica dividida entre Leme e Mogi Mirim, mas isso não me impede de aproveitar – ou pelo menos tentar – cada segundo desses dias. A parte chata é fazer e desfazer malas, afinal dezembro é o mês de passar por Bauru, São Paulo, Leme e Mogi. Com esse tempo louco e a minha vontade de levar mais revistas e livros do que roupas, as malas acabam sendo uma dificuldade à parte. Mas tudo bem, o esforço vale muito à pena.
Enquanto Mogi não chega, já que só saio daqui de Leme amanhã depois do almoço, procurei aproveitar um pouco da minha casa que, na verdade, ainda me é estranha. Fazia 4 meses que não voltava pra cá, e como faz relativamente pouco tempo que meus pais estão na casa nova, ainda me sinto um pouco intrusa nesse lugar. Ainda não me acostumei com a claridade da janela do meu quarto, ainda acho estranho algumas novas decorações que estão na sala e no banheiro e ainda me supreendo com pequenas ‘novidades’ que às vezes teimam em surgir pela casa. Não que sejam muitas, mas pra quem tem que estar num lugar que chama de casa natal (realmente existe essa expressão?) ainda estou me adptando. Mas estar aqui no Natal, pelo menos, me dá de volta um pouco do sentimento de família unida e grande que senti durante 18 anos de vida. Todo mundo reunido na casa da tia pra ceiar, as crianças correndo em volta das mesas, as tias tagarelas de sempre, o amigo secreto que sempre gera risadas. E me despir desses 20 anos, que já beiram os 21, e passar o dia 25 jogando bola, jogos de tabuleiro e wii. Com a companhia dos primos e do Diego.
Jogos de tabuleiro, inclusive, tem marcado meus últimos dias e se tudo der certo espero que eles também entrem no pacotinho de coisas boas de Mogi.

O bom de voltar pra cá, também, é rever duas pessoas mais do que especiais em minha vida. Afinal, 14 anos de amizade não são 14 dias, nem meses. E não são simples 14 anos, são 14 anos que já passaram por poucas ou muitas distâncias, por convívio 24 horas ou por meses a fio sem visitas. Por choros, melancolias, depressões-que-passam, bem como felicidade, confissões, companheirismo. Então rever duas pessoas assim, tão especialmente marcantes em minha vida é resgatar um tempo bom. E rir, rir muito de como costumávamos ser, dos nossos sonhos, das nossas histórias. Rir de felicidade pelo rumo que elas tomaram, E sim, retomar velhos hábitos e falar sobre ‘Mas ah por onde anda fulana’, e botar as notícias em dia e comer pizza como era antes nos bons e velhos finais de semana. Enfim, é matar uma saudade grande, de pessoas que podem estar a milhas de distância ou meses afastadas e continuar da mesma maneira. Amizade, né. Em sentido maiúsculo.
Mas tem as coisas ruins também, como aqueles presentes de Natal que acabam tendo que ser trocados.
O fato número um é que não sou nem um pouco shopaholic. Ta, cara pálida, eu sei que trocar duas blusinhas não quer dizer que eu seja uma consumista louca, mas o fato é que numa segunda-feira pós Natal, onde todo mundo decidiu trocar os presentes igual você,  é um saco ter que agüentar loja lotada e atendimento horrível. E eu sei também que muita gente acha estranho eu não ser uma viciada em compras. Ué, só porque gosto de moda? (aprendam com Vivienne Westwood!) Sinceramente, minhas compras acabam saindo nos momentos mais inesperados possíveis, ou quando realmente acho que uma calça nova, uma sapatilha nova são necessárias. Mas sair pra fazer compras é algo bem difícil pra mim. Então, imagine minha frustração em ter que entrar numa loja lotada, em que você sente que se não pegar a peça que deseja logo vai ter alguém que vai brigar a tapa por ela? E, ao mesmo tempo, pensar que poderia estar tomando um delicioso sorvete naquele sol de meio de tarde?
Mas tudo foi bem, bem pior do que imaginava.
Primeiro porque fazia tempo que não visitava lojas em Leme, então meu espanto foi bem maior com o que vi. Acima de tudo? Loja que tem um preço absurdamente caro, ABSURDAMENTE. Ainda mais pra uma cidade como Leme. Não é preconceito – oi, sou daqui! – mas Leme é uma cidade interiorana ué, e mesmo pras classes (?) que essas lojas pretendem atingir, o valor é ridículo. E não to nem me referindo a São Paulo, porque vejo lugares ótimos em Bauru com preços bem mais acessíveis…
E o que mais me deixou triste, me deixou mal, me deixou com vontade de pegar a coisa mais básica da loja e sair rápido dali, foi perceber que no fundo a pose, panca da loja é o que faz o microcosmo de Leme, ou melhor, a ‘alta sociedade’ lemense ostentar seu dinheiro, luxo, glamour (pra mim, feiúra) pros outros.
Saí daquele lugar com uma sensação horrível. E não eram apenas os preços, mas era o clima em si, a correria das pessoas – sim, por incrível que pareça a loja estava lotadíssima – aquela sensação de que o que menos se prezava ali era a roupa, e bem mais a ostentação.
No final, troquei tudo por coisas bem básicas e um colarzinho fofito que achei. E espero, verdadeiramente, não precisar voltar lá tão cedo.

Matei também minha vontade de assistir alguns filmes. A lista é grande, mas os escolhidos da vez foram Somewhere e Lost in Translation, ambos da Sopia Coppola. Também assisti “Os delírios de consumo de Backy Bloom”, mas nem vou fazer muita menção ao filme. Engraçadinho e bobinho, bem bobinho. Só fui assistir porque escutei 135135 comentários sobre ele da minha irmã. E fica registrado que vou chorar se alguém me falar do filme se eu disser que quero jornalismo de moda! (antes era O diabo veste Prada :~~).
Mas, o que importa, é que Somewhere me encantou. Pontos ótimos: angulações, trilha sonora, história, fuga de clichês e claro, o toque de Sofia Coppola. Além da Elle Fanning, que é uma graça de menina, tanto quanto sua irmã Dakota e Emma Watson (que eu adoro!).
Como Somewhere ainda não estreou nos cinemas brasileiros vou me abster de falar sobre sua história, mas recomendo mesmo pra quem ta na dúvida se deve ou não assistir.
Lost in Translation já é mais velhinho, mas correm rumores de que é o melhor da diretora e já era um título que me dava vontade há muito de ver. O filme podia ser menor e algumas cenas mais animadas, pra não te deixar com sensação de que nada acontece, mas é aquele tipo de filme que quando as luzes acendem você pensa que, bem, a história realmente é fantástica.

Bom, as malas me esperam no quarto.
Então lá vou eu, sem lenço e sem documento no sol de dezembro.

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