22 de novembro de 2010

Demorei alguns dias para vir escrever sobre o show do Paul McCartney aqui porque ando numa corrida louca contra o tempo, da qual, aliás, prefiro nem entrar em detalhes pra não me desesperar – mas falta uma semana só, uma semana só! Além disso, eu estava criando coragem e pensando nas palavras certas que caberiam nesse post. A coragem veio, mas talvez as palavras tenham ficado perdidas no meio do caminho, porque não sei se elas de fato fazem jus ao que foi a noite de 22 de novembro de 2010.

A primeira recordação que tenho de Beatles é ainda pequena. Lembro que ficava andando de camisolinha e paninho pela casa enquanto meu pai cantarolava Hey Jude pelos corredores. É uma lembrança meio vaga, mas que se mistura ao som de Yesterday que tocava na nossa antiga vitrola da sala. Embalada por essas músicas na minha infância fui crescendo e escutando, quase sempre de pessoas bem mais velhas, sobre uma certa banda que elas adoravam e que tinha sido uma febre. Era uma coisa tão louca que eu sentia como se eles não estivessem falando simplesmente de uma banda, mas um espírito, algo meio atemporal. Aos poucos – e conforme fui crescendo – fui conhecendo um pouquinho mais dos Beatles, um pouquinho mais sobre aquele quarteto de Liverpool tão amado.

Cresci e acabei descobrindo outras bandas, que marcaram minha adolescência/juventude. Bandas que falavam sobre ideologias, vontades de mudar o mundo, de lutar pelos nossos sonhos… bandas que fizeram parte da minha história, daquela maneira toda especial que só a música consegue fazer. No entanto, os Beatles sempre estiveram lá… de vez em quando menos tocados no foninho de ouvido, mas sempre lá.

Isso até uns dois anos atrás.

Há dois anos, há exatos dois anos que minha vida deu um giro de 180º, os Beatles a invadiram, quebraram as vidraças e cresceram de uma maneira insuspeitada por dentro dela. Sem nem ao menos eu me dar conta.

Lembro que nos primeiros dias de casa nova as meninas costumavam dançar And I love her na sala e sempre que a casa ficava em silêncio alguém já corria pra colocar um cdzinho dos Beatles pra tocar. De repente eu estava ali cantando All my loving a plenos pulmões, chorando emocionada em Something e delirando em Back in the U.R.S.S. Foi uma inundação que aconteceu: de repente eram músicas e mais músicas, cd’s, vídeos, uma vontade imensa de guardar tudo aquilo num lugar só meu. E então veio o Diego com seu amor beatlemaníaco e tudo se completou.

De repente, os Beatles não eram mais apena uma banda que me deixava nostálgica com minha infância, mas era sim uma banda que me definia, que me dava o melhor do melhor da fase mais feliz dos meus vinte anos de idade.

Assim, depois de muita impaciência pra conseguir o tão sonhado ingresso, depois de muita (muita!) gritaria ao ver a playlist que o Paul tocaria no Brasil, a expectativa pra noite do dia 22 só crescia. E o dia, finalmente, chegou.

A excursão foi uma delícia à parte: teve sorteio de brindes que incluíam camiseta e cd do Paul, além de uma sessão de tatuagem (o organizador da excursão foi o Binho, tatuador daqui de Bauru). Pra variar eu não ganhei nada haha, mas o Diego ganhou a tatuagem, eee, e isso é um capítulo à parte que fica pra um outro post!

Além disso tinha travesseiro, cobertores, água geladinha, uma trilhas sonora foda em toda a viagem e o carisma do Binho, tudo num pacote só.

E aí chegamos em São Paulo.

Chuva, muita chuva e uma correria enorme já que o ônibus parou longe do estádio. Só sei que no final, mesmo ensopada dos pés a cabeça, cansada e depois de horas na fila, tudo simplesmente foi embora quando coloquei meus pés no Morumbi. O show ainda demorou um bom tempo pra começar, mas a cada segundo meu coração parecia que ia estourar. E quando começou, ah, quando começou… Pareceu mesmo um sonho, do começo ao fim. Desde quando ele tocou a terceira música e eu engatei num choro que ia e voltava durante o show, até aos comentários de “ai que fofo” da Babi ao meu lado, além do abraço e beijo que dei no Diego e que me fez lembrar de todos nossos e-mails à la Beatles. Tudo foi mágico, do começo ao fim. Além do que, sir Paul, do alto dos seus 68 anos, cantou três horas de show sem perder o bom-humor, a entonação, sem beber água, sem deixar de se divertir com o público em todos os momentos. Pra ensinar o bom e velho rock ao que estão aí.

Numa explosão de fogos, num piano que me arrepiou da cabeça aos pés, num ‘tudo bem in the rain’ que me fez amar aquela chuvinha de São Paulo, Paul McCartney fez valer todo meu amor pelo Beatles. Obrigada Paul. Obrigada Diego, Babi e Caio que estiveram comigo nesse dia tão especial.

Obrigada 22 de novembro de 2010 por ter sido o dia único que foi.

Créditos das fotos: Babi.

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