The Yellow Kid

Pegar o jornal e dar uma espiada na parte de quadrinhos é quase sempre certeiro. Depois de ler algumas matérias aqui, algumas matérias lá, eu sempre acabo indo parar nessas histórias… Desde as mais cômicas até as mais políticas, quase todo mundo que se encanta com as histórias em quadrinho acaba tendo um personagem ou cartunista preferido e, no meu caso, não é diferente. (Quino, serei eternamente grata pela Mafalda!)

E aí que essa semana acabei lendo sobre o Yelloy Kid, a primeira história em quadrinhos publicada num jornal, e fiquei imaginando como isso se desenvolveu de tal forma que hoje os quadrinhos tem lugar garantido no impresso. O que nós sabemos não é à toa, já que estar lá significa ter público para tal.

O Yellow Kid não era muito bonito: um chinezinho com cara de bolacha, orelhas gigantescas e uma    camisola bem maior do que seu número. Acho que essa imagem toda caricatural dele ajudou para que as pessoas passassem a gostar tanto das suas tirinhas.

Seu ilustrador, o norte-americano Richard Felton Outcalt, começou a publicar a história do Yellow Kid no jornal New York World em 1895. Na época o jornal ainda era em preto e branco e a imagem do menininho travesso só viria a ficar imortalizada como a “criança amarela” tempos depois. Inclusive, quando os primeiros jornais começaram a publicar algumas de suas páginas coloridas, o New York World logo pensou na página do menininho como uma das que merecia o colorido. No entanto, por problemas técnicos a cor amarela não conseguiu ser obtida para sua impressão. Só em maio do mesmo ano que, finalmente, o menino da camisola amarela ganhou as páginas do jornal.

Quando Outcalt resolveu sair do New York World e levar seu personagem junto para o New York Journal American, se fez a confusão. Quem merecia ter o Yellow Kid estampando suas páginas? O jornal que há anos publicava suas tirinhas ou o novo jornal em que seu ilustrador trabalhava? A história foi parar na justiça e para felicidade ou não dos jornais, os dois puderam publicar as histórias. Enquanto Outcalt as ilustrava no novo jornal, o antigo passou a contar com as ilustrações de George Luks. Alguns anos depois o Yellow Kid saiu de circulação, mas na época outros jornais já tinham começado a apostar nas histórias em quadrinho. Ainda bem, diga-se de passagem.

E graças a essa primeira aposta num chinezinho com camisola amarela, cara de bolacha e orelhas grandes que hoje a gente pode abrir a página do jornal e se deliciar com as histórias em quadrinhos. Uma, em especial, eu tenho um carinho maior.

Mafalda, do cartunista Quino, começou a ser publicada em 1964 inicialmente no jornal Primera Plana, e logo depois no Mundo de Buenos Aires. Seu senso de política e papel social é tão encantador, que ela é quase um símbolo da mudança de postura e pensamento de uma sociedade. Numa época em que a Guerra Fria imperava e que a figura da mulher era associada a ‘casar, ter filhos e cuidar da casa’, as vontades feministas da Mafalda chegam a ser cômicas. Em busca da harmonia, da paz e consciente da alienação de seus pais – e de quase todos os adultos e crianças que ela conhece – Mafalda é uma em um milhão.

A menina dos meus olhos.

Nesse pot aqui tem a carta escrita por um anônimo celebrando os 40 anos de Mafalda em 2004. Para quem acompanhava suas histórias, sabe que esse futuro imposto aos personagens é tão coerente com a história que é triste e belo ao mesmo tempo.

Vale a pena ler.

Anúncios

2 pensamentos sobre “The Yellow Kid

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s