Pura e simplesmente

Houve um tempo em que tudo era bem mais fácil. Era só dar vontade de passear de bicicleta e bastava que eu fosse até a garagem de casa. Ela não era muito grande, também nem muito pequena, mas no tamanho ideal da minha vontade de desbravar umas poucas ruinhas de uma cidadezinha do interior. E lá ia eu toda serelepe com meu pequeno mundinho passando bem rápido diante dos olhos. Na maioria das vezes eu ia acompanhada, porque sempre tinha uma amiga que gostava de passear junto, de descobrir novos lugares, de olhar algum cantinho que tivesse passado despercebido da última vez. Ou então combinávamos uma pedalada até a edícula de uma delas, que ficava do outro lado da cidade e que nos causava uma canseira danada, mas que era recompensada com muita comida deliciosa e um refrigerante geladinho na chegada. E eram alguns minutos, horas que a gente sempre programava com a maior alegria do mundo, como se não houvesse sensação de liberdade e mágica maior do que simplesmente pedalar por aí.

De vez em quando eu ia sozinha mesmo, numa vontade louca de deixar o ventinho batendo na minha cara e de ter um tempo de total ‘solidão’, total sentimento de pertencer a nada e a lugar nenhum. Escolhia sempre os finais de tarde porque gostava de acompanhar aquele sol lindo indo embora, deixando o céu todo alaranjado até a gente espremer os olhos pra tentar acompanhar o infinito. E aí eu não precisava me preocupar com sol maltratando a pele, mas apenas aproveitar aquela brisa suave que começava a deixar seu encanto. E eu ia meio que embalada por aquela sensação, quase perdendo noção do tempo que ia passando e aí, quando os primeiros sinais da noite se faziam presente, eu voltava pra casa de alma lavada, com uma forte impressão dentro de mim que eu havia tido momentos maravilhoso em cima daquela bicicleta.

Ela ainda está lá, em algum canto escondido da casa – na casa nova nem na garagem ela está mais. E quando eu volto pra casa eu sinto saudades de andar de bicicleta, porque me lembra não só momentos deliciosos que passei com ela, mas momentos que acompanharam aquela época de ‘pedaladas por aí’. Há muito tempo que deixei ela de lado, mas sinto que um dia – não muito distante – vou resgatá-la do meio daquelas quinquilharias e dar mais uma voltinha com ela. Pelo prazer simples e puro que é andar de bicicleta.

Imagens: Dear Diary e We Heart It

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3 pensamentos sobre “Pura e simplesmente

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