O mundo é bão, Sebastião

 

De vez em quando me vem uma mania boba de ficar sonhando acordada com coisas bem reais, mas distantes do meu mundo. Viagens, mapas, histórias, vida sem fronteiras…
Não que elas sejam impossíveis, até porque quando sobre um dinheirinho a mais dá pra fazer um passeio, dá pra curtir novos ares, dá pra experimentar um pouco dessa vida “deixa viver”. O problema é que não dá pra ser assim o ano inteiro, né? Primeiro porque não ter porto certo implica em abrir mão de outras tantas coisas: estudos, trabalhos, pessoas. Eu não sou a pessoa mais apaixonada por cotidianos, gosto de detalhes, dias, pequenas supresas que mudem a rotina ou mesmo que deixem um gostinho de quero mais depois de acontecidas, mas ao mesmo tempo eu prezo muito por essa minha vida de agora. Se pudesse viajar mais, bem, é claro que viajaria, – até porque os planos não são poucos e vire e mexe estou discutindo um lugar para ir com o Di ou algum intercâmbio que venha a aparecer – mas acho que se eu não tenho um porto certo fico perdida, sem chão. Gosto do meu mundo, gosto dos meus planos de viagem, gosto de pensar que um dia vou realizá-los, mas gosto sobretudo de poder ter essa vida que levo agora em que planos são coisas tão gostosas de serem pensadas, em que pequenas viagens podem se tornar grandes viagens.
Aliás, essa história de pequenas viagens que podem se tornar grandes são engraçadas… já tive grandes viagens sem nem ao menos precisar sair de dentro de um ônibus! Talvez porque o dia conspirasse a meu favor, talvez porque o destino ou seja lá como você queira chamá-lo resolveu me fazer um agradinho, mas o fato é que muitas vezes, pegando um ônibus pra voltar pra casa, conheci pessoas com histórias tão incríveis e que se mostraram especialmente interessantes pra se conversar. De uma advogada apaixonada pela profissão que se divide entre São Paulo e Bauru e não consegue largar o cigarro, até um fotógrafo  de bebês que morre de orgulho de sustentar a família com seu trabalho e ver que os filhos estão tomando a mesma direção.
Pequenas histórias que cruzaram meu caminho assim, sem nem ao menos eu esperar e em poucas horas de estrada.

Fora tudo isso, viajar dá uma sensação deliciosa. Arrumar as malas, sentir o vento batendo nos cabelos ( quem não abre a janelinha do carro uma hora pra sentir o vento?), escutar uma música deliciosa pra acompanhar no ônibus ou, ainda, sentir um friozinho na barriga antes do avião decolar (ainda não andei em um, mas imagino que deva ser assim haha). Aquela sensação pré-viagem sabe, em que você tenta pensar em tudo que deve levar, em tudo que vai fazer…
Se eu tivesse mais dinheiro e tempo, com certeza faria outras tantas viagens. O número de viagens que tenho planejadas são inúmeras e cada uma tem seu gostinho especial, seu motivo certeiro, sua importância exata. Conhecer outros países, com culturas, línguas, histórias diferentes, mas também conhecer as raízes do que temos aqui, desse país tão heterogêneo que é o Brasil.
De tudo isso, fica a vontade de viajar e descobrir o mundo e a mim mesma, mas, sobretudo, ter meu porto pra voltar depois.

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