Entrevista: Móveis Coloniais de Acaju (Parte III)

Mas como é que fica o lado pessoal de vocês com tantas viagens? Como fica a família, os amigos?
Paulo: Tem esse lance da saudade, mas a gente tem um tipo de profissão que faz com que as pessoas que estão próximas da gente fiquem cada vez mais próximas da gente, e nos ajudem cada vez mais. É óbvio que a gente também sente falta de casa, tem horas que a gente pensa “puta, que saudades de casa”, mas ao mesmo tempo que a gente está distante é legal ver que a gente é reconhecido por isso. Não uso nem a palavra sacrifício, mas sim pela conduta do nosso trabalho, porque se a gente está fazendo isso e a tendência é crescer, é lógico que a gente vai ter que ficar mais longe de casa e vai ter que saber conciliar. Com isso a gente não está crescendo só em cima dos palcos, mas fora também, conciliando isso com nossa vida pessoal.

E o fato de vocês serem uma banda independente atrapalhou até que ponto na carreira, no crescimento?
André: É sempre complicado, mas hoje a gente nem fala mais esse termo “independente”, a gente fala que é um mercado de música. Cada artista tem uma forma de conseguir seu crescimento, seu sucesso, e a gente construiu a nossa forma de fazer isso. Foi uma forma difícil, cheia de problemas. Acho que o tamanho da banda sempre foi um empecilho, principalmente nos primeiros shows, porque era muito caro levar dez pessoas. A gente sempre trabalhou com uma noção de base: “vamos construir uma base forte de público, uma base que garanta nossa ida a esses lugares e garanta o nosso objetivo artístico.”
Paulo: Todo mundo achava o modelo do Móveis, – dez pessoas completamente diferentes – um modelo muito inviável. A gente já teve que tocar em fila indiana por causa de palcos minúsculos que nos apresentamos!A gente fala que o que a gente fez para dar certo foi se moldar ao que estávamos vivendo. Se a gente consegue ensaiar com dez caras, fazer uma música que agrada os dez caras, a gente tem dez cabeças pensantes que fazem coisas diferentes, então cada um pode fazer alguma coisa para ajudar na banda. Logo, o que era desvantagem para gente nós moldamos para que se tornasse em uma vantagem. E isso está acontecendo muito em todo o mercado: o artista está se adaptando ao mercado e se auto produzindo. E a gente só aprendeu isso de acordo com nossa necessidade.

E a idéia do “Móveis Convida”, como surgiu?
Paulo: Quando nós lançamos o primeiro disco em 2005, a gente fez uma festa de lançamento onde convidamos bandas e produtores pra participar desse evento com a gente. Foi muito legal porque todo mundo estava com muito gás e nós vendemos 2007 CD’s em uma semana. Nesse show tinham umas cinco mil pessoas e daí nós percebemos que isso podia ser uma forma de fomentar o trabalho de Brasília e ajudar a banda a se divulgar na cidade – porque a gente só era conhecido pelos universitários de Brasília. E daí vimos que dava pra continuar com esse projeto, que além de ajudar a cena de Brasília tem como objetivo também o intercâmbio de bandas do país todo. Isso porque tem muitas bandas que não tem oportunidade de tocar em Brasília, porque o espaço infelizmente ainda é carente. Assim a gente pode mostrar essas bandas para um público grande. Nesse ano tem a décima primeira edição e está dando muito certo. Nós já levamos Pato Fu, Los Hermanos, Teatro Mágico, Cravo e Carbono de Belém, Pata de Elefante do Sul, bandas da Argentina… A gente fez um festival que vingou e já tivemos várias formas de selecionar bandas. Teve uma vez que gente fez pela internet,com o pessoal mandando releases e as músicas pra gente ouvir… acho que eu escutei umas 120 bandas.

Mas e vocês, em que momentos você perceberam que a banda realmente tinha dado certo? Teve esse momento?
Paulo: Teve um momento em que caiu nossa ficha de que a gente tinha que parar e se organizar, que foi no Brasília Music Festival.
André: A gente sempre trabalhou em cima da necessidade…
Xande: A banda nunca teve um momento em que estourou, a gente foi crescendo aos poucos, desde 1998 a gente vem crescendo devagar.
Paulo: No caso do Brasília Music Festival, que é um dos maiores festivais de Brasília, a gente se viu ali no meio sem ter uma estrutura. Foi aí que a gente se deu conta que precisávamos de um técnico de som, precisava de roupa para tocar, precisava de um assessor de imprensa. A necessidade aconteceu ali.
E a gente nunca teve medo de errar. E o que a gente faz é com tanta vontade, com tanta alegria, que as coisas dão certo. Uma coisa boa não pode puxar uma coisa ruim!

Móveis e suas cabeças pensantes


Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s