Entrevista: Móveis Coloniais de Acaju (Parte II)

É perceptível que o Móves não é apenas uma banda. É uma família também…

Paulo: A banda tem 12 anos e de 2005 pra cá o número de shows só tem aumentado.  Além das viagens que nós fazemos, o convívio é muito intenso durante o dia-a-dia mesmo, principalmente agora que nós temos nosso escritório e nosso estúdio. A gente está junto o tempo inteiro, e isso é legal porque você cria um vínculo familiar. Nem tudo é paz e amor, claro, toda família tem suas discussões, mas no geral a gente se dá muito bem. A gente gosta de viajar juntos, o que é fundamental. Eu acho isso muito importante, porque você imagina nesse mês em que a gente tem 12, 14 shows, a gente chega em casa e mal pára!A gente tem que gostar de viajar juntos… Se essa nossa amizade não existisse, se essa vontade de viajar juntos não rolasse, não faria sentido algum. A gente realmente é uma família, com brigas e tudo.

O André vira brincando para o Paulo

André: Você gostou da última viagem?

Paulo: Gostei, esse ano as viagens estão muitos boas… Como diz o Beto, esse ano é o ano sabático. Esse ano eu não brigo com ninguém, eu não reclamo.

André: Esse ano é o ano do descarrego!

Mas como foi começo dessa família? Vocês começaram tocando nas universidades, festas de república e até em bailes de formatura, né?

Paulo: Tocamos, nós tocamos em tudo. A gente tocou em festa a fantasia também!Teve uma festa a fantasia em que a gente era a Branca de Neve e os Sete Anões, então deu certinho! Na época tinha o Renato, que era baterista da banda, e ele foi a bruxa, o Borém (Eduardo – gaita) era o príncipe, o André a Branca de Neve e nós éramos os sete anões. Essa história foi muito legal.

E as experiências que vocês tiveram nesse período ajudaram muito a transformar o Móveis no que ele é hoje em dia?

André: Com certeza, a banda é uma inspiração pra mim na minha experiência de vida, fora da parte profissional, sabe? Acho que nessa época a gente aprendeu muito sobre o grupo, sobre desapego e sobre trabalho coletivo. Acho que a gente não só aprendeu como acredita nisso também. Acho que isso conduz nosso trabalho e conduz outras coisas também, até nos meus projetos de faculdade. Eu acabava sempre falando sobre a interdependência, da forma como dependemos uns dos outros na nossa vida. Como o cara que produz arroz pra você ter o arroz em casa, além do cara que cultiva, o cara que transporta até chegar na sua mesa. Então as coisas são muito ligadas, e a relação com o público também. E saber o que o espectador, o público transforma aquilo que você faz numa leitura pra vida dele, na forma como ele se relaciona. E a nossa forma é sempre a forma mais interativa, a forma que inclui.

Paulo: E isso faz com que a gente tenha um respeito muito grande, não só dentro da banda, mas com o público em si. Pra gente o público sempre é mais importante do que qualquer evento, independente da gente tocar pra quarenta mil pessoas ou tocar pra vinte. A gente coloca a mesma energia para os dois shows. As pessoas mistificam muito essa coisa de ser um artista conhecido. No caso do Móveis a gente já passou por todos os percalços de tocar pra pouco público, principalmente em relação a equipamento, mas sempre com aquela alegria de tocar, então o que a gente procura na realidade é quebrar esse estigma de que “ah, o cara fez um programa de televisão, tocou pra não sei quantas mil pessoas”. Não, pra gente não tem isso! Não existe essa distinção na hora que a gente está tocando ou na hora que a gente tem que ter um contato com o público. O que a gente procura é isso; 90% do que a gente faz tem importância do público, os outros 10% que precisa é que a gente toque bem. A gente precisa deles, independente de ser muito ou pouco público, fazendo parte da música da gente.

André: É meio que transformar todo o evento em uma oportunidade, independente da forma. É sempre uma oportunidade pra gente: do público conhecer mais nosso trabalho e da gente aprender. Na vida é assim também, né…

(Continua…)

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