The Almighty Devil Dogs

Já eram mais de sete e meia da noite do último sábado, 22 de maio, quando comecei a abrir espaço entre a multidão que se aglomerava no parque Vitória Régia. Multidão igual aquela só em uma mesma data no ano: Virada Cultural. Pessoas apinhadas, em rodinhas, cantarolando algumas músicas enquanto crianças corriam pelo gramado: era assim o começo da Virada Cultural em Bauru, com o pessoal se aquecendo para toda a programação que viria em seguida.

Enquanto ia caminhando, minha cabeça pensava em várias coisas ao mesmo tempo: gravador está funcionando? Crachá está comigo? Deixei alguma coisa, que não deveria, em casa? Será que consigo entrar? A ‘missão’ era entrar nos bastidores da Virada e conversar com uma das bandas que acabara de se apresentar, o The Almighty Devil Dogs, uma banda aqui da cidade que já tinha o som conhecido por boa parte do público que estava ali, por suas apresentações em festas de república e eventos bauruenses.

A entrada para os camarins ficava atrás do palco, num canto a esquerda, onde dois seguranças tampavam a visão do que estivesse acontecendo lá dentro… em meio a tudo isso, chegavam músicos e instrumentos do pessoal que logo em seguida começaria as apresentações. Com toda aquela conversa de “eu faço Jornalismo na Unesp e queria fazer uma entrevista com o pessoal da banda..”, comecei a tentar convencer o segurança de que sim, eu queria e ia entrar de algum jeito pra conseguir a entrevista. Depois de conversar com a responsável do evento logo fiquei com a sentença ‘ah espera aí fora que daqui a pouco eles saem’ – e eu pensando em como iria gravar uma entrevista com um mínimo de decência do lado daquelas caixas de som que faziam meu tímpano querer estourar…

Antes de sair, no entanto, a mulher foi até os caras da banda para mostrar quem eu era e deixar avisado que iria conversar com eles na saída. Já esperando que ainda fosse demorar algum tempo até reunir todos os instrumentos e a banda toda resolver sair, tomei um susto quando uns dos caras veio até mim e disse “entra aqui”.

E lá fui eu, entrando no camarim da Virada toda empolgada. Assim que entrei na sala – a mesa cheia de frutas não passou despercebida – já veio mais um cara da banda me cumprimentar e conversar comigo. E foi assim, mais simples do eu poderia imaginar!

A alegria do Vinícius – guitarrista – que conversou comigo, não ficava apenas no tom de voz com que respondia minhas perguntas… Ficava no jeito como sorria a cada vez que pronunciava a palavra “banda”, a casa brilho no olho quando contava sobre os momentos que anteciparam a apresentação, a cada nova risada que dava quando tentava explicar a infinidade de influências que a banda tem – desde o punk rock e surf music clássico até filmes de terror.

Depois de terminada a entrevista sai de lá com a sensação de que aquilo sim é o que eu chamo de “tesão” pela música, mesmo a banda já tendo sete anos deestrada. Sabe aquela paixão que normalmente você vê nas bandas em começo de carreira e que espera de verdade que eles ainda guardem isso por muito tempo? Então… é aquela sensação de que amor pela música que você faz, pelo som que você toca, vai bem além do que cifras e estrelato podem trazer: é ver que reconhecimento é algo que ainda pode fazer seu olho brilhar, independente de tempo ou espaço.

Foto retirada do facebook oficial da banda "The Almighty Devil Dogs"

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