Good day sunshine

Estou adiando uma nova postagem aqui no blog há dias, porque sempre dependia de uma palavrinha mágica chamada “tempo” para poder fazer isso, e como infelizmente a gente não mande nele, as coisas andaram saindo um pouco do controle e eu não pude dar continuidade a séria de postagens que andava fazendo por aqui. Isso não quer dizer que eu vá deixá-las para trás (o próximo texto será mais um da série: passado/presente/futuro), ao contrário, só estou adiando o mesmo porque hoje era necessário fazer uma postagem à parte.

Não que haja uma data especial para isso. Hoje não é nenhum dia especial para mim, – mesmo sendo feriado e eu tendo voltado para a minha casa, que tem sido sinônimo de descanso nos últimos tempos – mas, no entanto, acontece que foi um dia tão repleto de pequenos – e intensos – momentos mágicos que seria um desperdício deixá-lo passar em branco. Pequenos detalhes como uma frase perdida numa velha minissérie de TV, ou alguns pequenos minutos perdidos flutuando sobre as águas calmas de uma pequena piscina, ou ainda o prazer tão delicado e pequenino que pode ser colocar um velho pijama esquecido no fundo da gaveta. Enfim, são os toques mínimos desse dia que renderam uma calmaria e uma paz que há tempos não sentia.

Resolvi que daria continuidade a minha leitura dos últimos dias, “Rainha da Moda – Como Maria Antonieta se vestiu para a revolução” de Caroline Weber, que apesar de ter sido emprestado junto com uma pilha de livros de moda por uma amiga, tem um lado muito mais histórico presente em suas páginas, o que, claro, torna a narrativa mais interessante ainda. Maria Antonieta vai se desvendando ao longo das páginas como uma menina indefesa, moldada por sua mãe e por toda a corte francesa para assumir um papel ao qual não estava preparada. Sua falta de preparo não se deveu a aulas que não foram cumpridas regularmente, ou a ensinamentos e toques de etiqueta que faltaram antes de sua partida, ao contrário, essa sensação de ser jogada na cova dos leões aconteceu à pequena como aconteceria com qualquer um em seu lugar. Áustria e França usaram a pequena de 14 anos como uma peça de aliança e ostentação política a qual ninguém estaria preparado. A infinidade de descrições e notas de rodapé recheiam o livro de uma cultura tão intensa, que o tornam quase uma enciclopédia do século XVIII.

História, Cultura, Moda e um universo encantador de Caroline Weber

Ainda embalada pelos sapatos de cetim, pelos longos vestidos de cauda e pelos espartilhos apertadíssimos da menina, resolvi assistir ao primeiro episódio de uma minissérie que há alguns dias pedi que o Di gravasse para mim. Essa minissérie passou há alguns meses (ou seriam anos?) na Globo, e lembro que na época, vagamente, acompanhei um pouco da história e fiquei fascinada. Assim como algumas minisséries em que a Globo acertou em cheio numa miscelânea de cultura, lazer e educação, como “Hoje é dia de Maria”, “Capitu” e tantos outros, “Queridos Amigos” provou ser uma obra se extraordinário bom gosto. Sinto-me um pouco como o protagonista Léo, querendo reunir sua antiga família de amigos que se perdeu ao longo dos anos nos corredores infindáveis de suas próprias vidas. As paisagens são bucólicas, as imagens do tempo da ditadura no país são extraordinariamente fortes e ao mesmo tempo emocionantes, e a sensação de irmandade entre os personagens, seu afeto espontâneo e verossímil, é tão realista nas cenas que nos sentimos tele transportados para dentro da TV, fazendo parte de seu mesmo universo. Um trabalho impecavelmente lindo e envolvente.

Os "Queridos Amigos" de Maria Adelaide Amaral

Para encerar esse dia, tão repleto de frases bonitas e cenas marcantes, um mergulho na piscina, me deixando a sensação de que pertenço à água. A descarga elétrica que atravessa o corpo ao entrar em contato com a água gelada é um momento único,  assim como esse dia, que mesmo sem nada em especial, se tornou belíssimo.

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2 pensamentos sobre “Good day sunshine

  1. Só vou dizer algumas coisas enumeradas:

    1) inveja por você estar em casa;

    2) inveja por você estar descansando, em casa;

    3) inveja por você estar com tempo, descansando, em casa.

    4) saudades de você e de casa.

    Sem mais.

  2. Eu adoro esses livros históricos, quando são bem escritos divertem e informam ao mesmo tempo. Acho um barato.
    E parabéns pelo texto, divertido e informativo!

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