Há um tempo atrás…

E lá se vão quase dois anos desde que escrevi esse texto. É tão gostoso ver essas coisas velhinhas que a gente escreve, sentir as mudanças que a escrita (e nossa vida) sofreram de lá para cá. Dá uma sensação de nostalgia, mas nostalgia da boa, sabe? De um jeito que faz a gente sentir que o passado foi importante, mas que o presente guardou as melhores surpresas para a nossa vida.

É que a chuva passou, e a borboleta nunca mais foi embora.

Janeiro de 2008

Fuga:

Seria a menina que olhava pro banco ou o banco que olhava pra menina ?
Nem ela sabia, e tampouco queria saber. Só queria chegar até lá, sentir o material sólido e frio junto ao corpo enquanto podia observar o jardim. Mentalmente contava os passos em sua cabeça, como se os números assim milimetricamente contados pudessem fazer o tempo que separavam seus pés até o banco diminuir.
Alívio…
Agora podia sentar, observar os primeiros raios de sol que surgiam naquela manhã de janeiro, sem a preocupação de que o telefone tocaria a qualquer momento; sem o receio de ouvir a voz que não queria escutar(ou talvez por tanto querer) que lhe faria mal, que faria com que ela novamente, repetindo a cena infantil de sempre, se derramasse em soluços e promessas pra si própria das quais segundos depois nem mais se lembraria.
Olhou o jardim, deixou-se ficar assim contemplando horas a fio. Os raios brincavam com as flores projetando seu brilho sobre as begônias, enquanto um bem-te-vi cantava em furor ao novo dia que chegava.
E foi então que viu…como se o tempo e lugar parassem, ela viu a pequena criatura se aproximar; o bater de asas incessante que buscavam alguma pequena flor em que pudesse se deixar ficar. Mas não foi à flor que escolheu. Em transe a menina observava que ela, a borboleta, vinha em sua direção como se tivesse certeza da segurança que ali no banco, em cima de suas mãos, ela encontraria.
Pousou delicadamente na palma da mesma. Era linda, simplesmente linda. A miscelânia feita pelas cores deixava a menina extasiada. ‘Quantas cores será que haveriam no mundo ?!’
E assim por um breve momento, enquanto a borboleta continuava a frente de seus olhos, sentiu o que há tempos não sentia. A paz que procurava havia tanto… a alegria disfarçada que já esquecera como era.
Felicidade! A vida se mostrava à sua frente…tão pequena criatura, tão frágil, tão bela, tão imponente.
O bater de asas voltou e assim a borboleta foi-se embora.
Olhou pro céu e viu que o sol, que já estava na hora de se mostrar majestoso, estava encoberto por nunvens carregadas. O tempo fechado, cinza. A menina sentiu o primeiro pingo na palma de sua mão, onde segundos antes a pequena criatura ali estivera. Inconstante como o tempo ela era, e agora como a gota de chuva gelada que sentia, seu coração por dentro também gelava.
A chuva apertou e a menina assim, de olhos baixos, foi-se embora contando mais uma vez milimetricamente os passos para que estes a conduzissem rapidamente a sua casa. Aonde a chuva não mais a alcançaria.

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